Cronologias 
1. Conflito na Iugoslávia
2. O Movimento Palestino

1. Cronologia do Conflito na  Iugoslávia **
20 de abril de 1999
   Christian Lohbauer*

· Chegada dos povos eslavos à península balcânica – séculos
IX

· Expansão do Império Bizantino ocupa quase toda a região
em 1025

· Cisma da Igreja Oriental em 1054– (cristã-ortodoxa Grega)

· Queda do Império Bizantino e ascensão da Grande Sérvia e
Império Húngaro no século XVI - Grande Sérvia ocupa a
região atual da Albânia, Macedônia parte da Grécia -
Regiões de produção de grãos e minérios (carvão e cobre) -
Construção de 1300 igrejas cristãs-ortodoxas só na região
de Kosovo – Centro religioso em Pec

· Expansão do Império Otomano – "Batalha do Campo dos
Melros", ou Batalha de Kosovo, em 1389, marca a última
batalha de resistência sérvia contra a ocupação otomana
que vai durar até 1878.

· Durante quase 500 anos os Sérvios estarão sob dominação
Otomana e o território sérvio será palco permanente de
conflito entre Império Austro-Húngaro e Otomanos.
Soldados sérvios servirão na frente de batalha dos
Habsburgos para enfrentar os otomanos.

· Em 1878 o Tratado de San Stefano define as fronteiras
balcânicas – Sérvia independente - Grande Bulgária –
Bismarck afirma que "os Balcãs não valem os ossos de um
granadeiro da Pomerânia".

· Guerras Balcânicas marcam a fragmentação do Império
Otomano em 1912-13. Sérvia ocupa a região de Kosovo e
Macedônia. População já é de maioria albanêsa.

· Primeira Guerra Mundial estoura nos Balcãs

· Reino da Sérvia, Croácia e Eslovênia é criado após a
Guerra.

· Em 1929 o país passa a se chamar Iugoslávia ("União dos
Eslavos do Sul") – Alexandre I instala uma ditadura para
conter os nacionalismos entre sete povos (Sérvios, Croatas,
Eslovênos, Macedônios, Montenegrinos, Bósnios
muçulmanos, albanêses de Kosovo, e minorias húngaras,
alemãs e ciganas). A heterogeneidade é reforçada por três
religiões (católica, ortodoxa e muçulmana) e dois alfabetos
(latino e cirílico). Alexandre é assassinado em 1934.

· Em 1941 Alemanha invade o país.

· Croatas aliam-se aos nazistas. Guerrilha comunista sob
liderança do croata Josef Broz Tito combate os nazistas.

· Em 1945 Tito organiza a Iugoslávia comunista como uma
federação de seis repúblicas e duas províncias autônomas
(Kosovo e Voivodina) – Miroslav Djilas é o seu braço
direito e procura reduzir os nacionalismos deslocando
populações.

· Em 1974 Tito aumenta a autonomia de Kosovo

· Tito morre em 1980 - Milosevic reduz a autonomia da
província quando assume o Partido Comunista Sérvio em
 

· Em julho de 1991 Eslovênia e Croácia declaram
independência.

· Bósnia declara Independência em março de 1992 – Guerra
Civil dura até 1995 com o Tratado de Dayton. Kosovo fica
de fora do Tratado.

· Crise interna da Albânia em 1997 – abre-se o fornecimento
de armas para os rebeldes kosovares.

· Em março de 1998 aumenta a tensão separatista em
Kosovo. Conflito entre forças sérvias e do Exército de
Libertação de Kosovo (ELK). Em maio guerrilha controla
do território.

· Em outubro de 1998 a OTAN dá primeiro ultimato para
retirada das forças de repressão à comunidade albanesa de
Kosovo por Slobodan Milosevic.

· Fracasso das negociações de Rambouillet em fevereiro de
provocam a intervenção da OTAN em 24 de março.
 
 

"A complexidade do conflito em Kosovo"
 

* Doutorando do Departamento de Ciência Política e colaborador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais e do Núcleo de Políticas Estratégicas da USP.
**Material apresentado no Seminário "CONFLITO DE KOSOVO E PAZ
MUNDIAL" promovido pelo  NUPRI  no dia 19 abril 1999.

Linha do tempo

Um território, múltiplos povos e disputas sangrentas em 9 mil anos de história

7 mil anos A.C. - Os primeiros habitantes da região são caçadores, que povoam a península balcânica, ao sul do Rio Danúbio.

Cerca de 1200 A.C. - Os ilírios, tidos como ancestrais dos albaneses, chegam à região, de acordo com estudos arqueológicos. Albaneses da Kosovo atual usam esse fato para argumentar que colonizaram à região antes dos Sérvios.

500-700 D.C. - Várias migrações de eslavos do Sul, especialmente Eslovenos, Croatas, Sérvios e Búlgaros, entram nos bálcãs pelo norte. Os Eslovenos chegam primeiro; os outros povos os seguem no século 15.

Anos 600 - Novos assentamos acabam por estabelecer a Bulgária e a Macedônia. Búlgaros e Sérvios reivindicam a Macedônia, num dos primeiros conflitos na região.

Anos 800 - Os grupos Croatas dos Bálcãs caem sob domínio do Império Romano. Missionários francos chegam à região, iniciando a transformação da Croácia numa região católica. Na época, os sérvios, próximos ao Império Bizantino, tornam-se cristão ortodoxos.

879 - O Papa reconhece o estado croata.

1054 - O papa (líder da Igreja Romana) e o patriarca grego, em Constantinopla, oficializam o rompimento, em razão de diferenças de natureza doutrinária. Este fato, parte do debate político na região, ainda afeta as relações entre ortodoxos sérvios e croatas católicos.

1172 - Stephan Nemanja, de Raska, insurge-se contra as leis bizantinas e une o menos desenvolvido principado de Zeta para formar o primeiro estado sérvio.

1300 - Pujança. Nessa época, os sérvios ortodoxos já desenvolveram um poderoso reino medieval, com uma corte itinerante. A literatura e a tradição artística são destaques da cultura local.

1345 - Bandos de turcos penetram nos Bálcãs como mercenários a serviço do Império Bizantino contra a Bulgária, Sérvia e estados cruzados, que cresceram na Grécia depois que cavaleiros francos e vênetos saquearam Constantinopla em 1204. Depois, os turcos retornaram a conquistaram a região.

1389 - O turcos derrotam o exército sérvio, em Kosovo. O campo de batalha e os monastérios são ainda locais sagrados para os sérvios, que rejeitam as reivindicações albanesas na área.

1453 - Turcos tomam Constantinopla. O império bizantino cai sob domínio otomano.

1526 - Um exército turco destrói uma base húngara em Mohacs, matando o rei Luis II e a maior parte dos nobres húngaros. Ferdinando Habsburgo anexa a Hungria, a Bohemia e a Croácia a seu império. Os Habsburgos mantêm-se como a mais poderosa "casa" da Europa Central até 1918.

1683 - Exércitos turcos movem-se para Viena. O controle sobre os balcãs é considerado opressivo e cruel.

1690 - Uma revolta dos sérvios termina em derrota. Cerca de 70 mil pessoas são obrigadas a emigrar da Sérvia para a Croácia dos Habsburgo. Seus descendentes tornam-se os sérvios "krajina", que permanecem na Croácia ao longo do que é hoje a fronteira bósnia, uma situação que complica as relações entre os dois países.

1743 - Nasce Dimitrije Obradovic, o homem que iria iniciar a revolução cultural sérvia. Incomodado pelo fato de os sérvios não terem uma moderna literatura laica, escreve as gramáticas e dicionários que serão a base da moderna língua sérvia.

1804 - A população sérvia da região de Belgrado, com algum apoio russo, começa uma insurreição contra seus dominadores (os turcos). A revolta se estende até 1815, o ano em que Napoleão é derrotado em Waterloo. Com Napoleão fora do caminho, os turcos temem que a Rússia possa novamente intervir para fazer a Sérvia autônoma.

1817 - Karageorge (ou George Negro), o líder da insurreição de 1804, volta à Sérvia e é morto por Milos Obrenovic. Milos corta a cabeça do rebelde e a manda para Istambul.

1831 - Um censo revela que cerca de um terço da população dos Bálcãs é muçulmana. O Império Otomano vive um novo momento, de retrocesso. A população dos Bálcãs vê com ódio seus governantes islâmicos. O sentimento ainda persiste na Sérvia. Também se reflete nas atitudes dos croatas em relação aos muçulmanos bósnios.

1844 - Um ano depois de chegar ao posto de ministro dos Assuntos Internos do Estado Sérvio, Ilija Garasanin publica um memorando secreto, chamado "Nacertanije", sublinhando seus planos de um estado integrado, com Bósnia-Herzegovina, Montenegro, o norte da Albânia e todas as terras turcas com habitantes sérvios. Ele prevê uma guerra contra o império Austro-Húngaro. Hoje, líderes sérvios evocam idéias de Garasanin para defender seus sonhos de uma Grande Sérvia.

1878 - O império Austro-Húngaro toma conta da Bosnia-Herzegovina; anexa a província e a mantém sob controle de 1908 até 1918.

1892 - Josip Broz Tito nasce na Croácia, de uma mãe croata e pai esloveno.

1906 - A Guerra do Porco marca uma disputa econômica entre o império Austro-Húngaro e a Sérvia, Numa tentativa de prejudicar a economia da Sérvia, o império austro-húngaro recusa-se a comprar qualquer carne animal dos vizinhos. Os sérvios rapidamente abrem novos mercados com Egito, Grécia, Turquia e Alemanha e sua economia tem rápida expansão. A Guerra do Porco, terminada em 1911, contribui para criar a tensão que desencadeará a Primeira Guerra Mundial.

1908 - O império Austro-Húngaro anexa as províncias de Bósnia e de Herzegovina. A Bulgária declara sua independência da Turquia.

1912 - Sérvia, Montenegro, Grécia e Bulgária se unem para atacar os turcos e os expulsam da Macedônia e da Trácia. Foi a Primeira Guerra Balcânica.

Jun-Jul 1913 - Sérvia, Grécia e Romênia lutam na Segunda Guerra Balcânica pelo espólio da Primeira Guerra Balcânica, A vitória no conflito aumenta o território sérvio em cerca de 82 por cento, um estímulo aos seguidores das idéias de Garasanin. A atenção sérvia agora se volta para a Bósnia e a Croatia, sob domínio austríaco.

1914 - O nacionalista Gavrilo Princip assassina o líder do Império Austro-Húngaro, o arquiduque Francisco Ferdinando, iniciando uma série de conflitos que, aos poucos, transformam-se na Primeira Guerra Mundial. As forças sérvias são derrotadas no campo de batalha em 1915.

1918-1939 - No período entre as duas guerras, as economias dos países balcânicos entram em crise. Movimentos fascistas surgem na Hungria, Bulgária e Romênia.

1921 - A constituição do reino da Iugoslávia, nome usado pela primeira vez, une Sérvia, Croácia e Eslovênia. Os problemas começam quando a maioria sérvia recusa as propostas croatas de federalismo e autonomia.

1928 - Um delegado do Partido Radical Sérvio puxa um revólver durante um debate no parlamento Iugoslavo (Skupstina). Os disparos atingem três deputados croatas, incluindo Stjepan Radic, o líder do movimento croata de independência.

1929 - O rei Alexandre, frustrado em sua tentativa de governar por consenso, dissolve o parlamento, estabelecendo uma ditadura na qual os sérvios detém a maior parte do poder. Ressentimento cresce entre os grupos étnicos.

1941 - Os nazistas alemães invadem a Iugoslávia e são bem recebidos pelos croatas, que criam um governo fantoche, dirigido pelo fascista Ustasha. O governo executa e deporta sérvios que vivem na Croácia. É denunciado um processo massivo de "limpeza étnica" na região. Alguns muçulmanos juntam-se a Ustasha. Sérvios são massacrados.

1943 - O líder Tito tem até 60 mil milicianos em combate contra os nazistas alemães, Ustasha e os sérvios chetniks.

1944 - Ajudados pelo exército vermelho e pelos britânicos, o exército de Tito expulsa os alemães da Iugoslávia.

1945 - Os partisans comunistas, liderados por Tito, formam os quadros do governo. Acabada a guerra, esse grupo assume totalmente o poder, sem o apoio de tropas soviéticas.

1948 - O líder soviético Josef Stalin planeja a fusão da Iugoslávia com a Bulgária, mas encontra a resistência de Tito. O regime Iugoslavo é comunista, mas o país não é um satélite soviético. Durante quatro décadas, Tito e os sucessores mantêm a República Comunista da Iugoslávia unida. Sérvia, Bosnia-Herzegovina, Croácia, Eslovênia e Montenegro convivem em relativa harmonia.

1970 - Começam a ressurgir movimentos nacionalistas na Croácia. O domínio de Tito é questionado. Os opositores do governo são presos e o movimento dissolvido.

1980 - Morre Tito e o governo passa às mãos de um grupo rotativo, cujos membros são escolhidos pelas assembléias das seis repúblicas e das duas regiões autônomas agregadas. Vários pequenos grupos, sem base popular, lutam para ampliar suas fatias de poder.
 

1981 - Estudantes da universidade de Kosovo protestam contra as precárias condições da escola e são reprimidos pela polícia sérvia. É o início de uma série de pequenos conflitos étnicos na região.

1985 - A Academia Sérvia de Ciências publica uma declaração em que condena severamente Tito e o Partido por suposta política anti-sérvia. Segundo o documento, Tito fez a Sérvia empobrecer e permitiu que sérvios fossem massacrados em Kosovo. A carta afirma que a maioria albanesa tiraniza e reprime a minoria sérvia. Propõem a criação de um estado sérvio.

1986 - O Partido Comunista Sérvio tem novo líder, o nacionalista Slobodan Milosevic.

1987 - Milosevic faz discursos de tom claramente nacionalista em Kosovo. Com grande apoio popular, golpeia a oposição, afasta rivais reformistas e diminui a autonomia das regiões de Kosovo e Voivodina.

1989 - Regimes comunistas são derrubados em toda a Europa. Grande instabilidade política toma conta do país. O Partido Comunista transforma-se numa organização nacionalista. Croatas e Eslovenos insurgem-se contra Milosevic e seu governo de maioria sérvia.
 

1990 - No início do ano, a liga dos comunistas sofre cisões por causa de razões étnicas. Dezenas de pessoas morrem em conflitos em Kosovo. O exército Iugoslavo, com maioria sérvia, domina a situação. Outros grupos étnicos da região, convencidos de que estava em curso um projeto de limpeza étnica, agora estão inclinados a apoiar a secessão.

Nas eleições eslovenas, uma coalizão de centro-direita obtém sucesso. Os vencedores dedicam-se a escrever uma nova constituição, que permita a secessão. Na Croácia, os nacionalistas conservadores, liderados por Franjo Tudjman tornam-se a maioria no governo.

Uma consulta popular mostram que os sérvios são favoráveis ao Estado unificado e à repressão aos movimentos de autonomia nas províncias sérvias de Kosovo e Voivodina.

Os Krajina (minoria sérvia na Croácia) começam uma campanha por autonomia. Segundo eles, se a Croácia pode deixar a Iugoslávia, eles têm o direito de deixar de fazer parte da Croácia. Conflitos começam a ocorrer na Croácia. Milosevic anuncia que se a Iugoslávia se desintegrar algumas fronteiras serão alteradas para manter unido o povo sérvio.

1991 - Os Krajina declaram sua autonomia e são apoiados por Milosevic. Os sérvios recusam-se a aceitar um presidente croata para a Iugoslávia, seguindo os termos do sistema rotativo.

Em junho, Croácia e Eslovênia proclamam suas independências. Depois de alguns conflitos com milícias eslovenas, o exército iugoslavo (agora integrado só por sérvios) retira-se da região e a secessão é admitida.

Em agosto, a guerra espalha-se pela Croácia. Os sérvios tentam controlar Vukovar e Dubrovinik. Na primeira, os sérvios expulsam os croatas. Em Dubrovinik, os croatas resistem. Os sérvios se utilizam de artilharia pesada para compensar a falta de homens em suas divisões de infantaria. Civis são expulsos de suas casas pelos sérvios nas duas cidades. Durante os conflitos, a Comunidade Européia reconhece a Croácia e a Eslovênia.

No mês seguinte, a ONU autoriza o envio de uma força de paz de 14 mil homens e impõe um embargo econômico à Sérvia e a Montenegro.

1992 - Um plebiscito tem como resultado a independência da Bósnia. Muitos sérvios votam contra a proposta, mas são derrotados. Ao final da apuração, os sérvios montam barreiras nas estradas e isolam cidades. Os sérvios começam a deixar as cidades, enquanto um novo parlamento é empossado. Durante 44 meses uma terrível guerra mobilizará milhares de soldados e civis. Os sérvios da Bósnia são apoiados por Milosevic. Os sérvios conquistam grandes fatias do território da Bósnia, preparando-se para uma futura união com a Sérvia. Os paramilitares sérvios "chetniks" atacam os vilarejos muçulmanos e expulsam seus habitantes. Muitos vão se refugiar em Zepa, Srebrenica, Tula e Sarajevo. Nesta última cidade, violentos combates são travados.

Agosto de 1992 - Os sérvios controlam mais da metade do território bósnio. Os dois lados fazem acusações de limpeza étnica. Há provas de que os dois lados praticaram atrocidades. São divulgadas informações de que os sérvios rotineiramente estupravam mulheres muçulmanas e prendiam e executavam os homens. São divulgadas imagens de supostos campos de concentração montados pelos sérvios. Estes atribuem as informações a uma campanha da mídia contra os sérvios. Tempos depois, descobre-se que algumas imagens de "campos de concentração" (veiculadas pela TV) eram, na verdade, de campos de refugiados e que seus ocupantes não estavam presos.

1993 - Os combates continuam enquanto avançam as conversações de paz, em Genebra. Os sérvios se recusam a partilhar os territórios conquistados na batalha. O presidente bósnio-sérvio Radovan Karadzic propõe uma partilha que deixará os sérvios com 52 por cento do território da bósnia. O governo local rejeita a proposta.

Segundo semestre de 1993 - Muçulmanos armam defesas nas cidades de Sarajevo, Tuzla, Bihac, Zepa, Srebrenica e Gorazde. A imprensa ocidental critica os sérvios por agressão e crimes de guerra.

1994 - Em fevereiro, um ataque sérvio deixa 68 mortos num supermercado de Sarajevo. O caso provoca reação imediata no Ocidente. Os Estados Unidos e a OTAN exigem que os sérvios parem com os ataques à cidade. Os sérvios concordam, mas continuam os ataques da artilharia a outras cidades.

Março-Maio de 1994 - Croatas e muçulmanos bósnios chegam a um acordo sobre a criação de um país federado. Pequenas operações militares são realizadas contra as bases sérvias. A OTAN ataca posições sérvias. Os sérvios respondem tomando soldados das forças de paz como reféns. A ONU volta atrás.

1995 - Forças sérvias, desrespeitando determinações da ONU, invadem cidades declaradas "invioláveis", como Srebrenica e Zepa, e são acusados de praticar uma terrível operação de limpeza étnica. O general sérvio Ratko Mladic é acusado de coordenar a execução de 8 mil muçulmanos bósnios e o presidente Radovan Karadzic é apontado pela ONU como responsável por crimes de guerra.

Em agosto, muçulmanos bósnios e bósnios croatas atacam na cidade de Bihac. A ofensiva retira forças sérvias do oeste da Bósnia. Cerca de 130 mil refugiados sérvios são forçados a deixar as terras que cultivaram por séculos. Muçulmanos e croatas são acusados de praticar "limpeza étnica" na região.

Os sérvios cercam Sarajevo novamente e a OTAN inicia um ataque aéreo sobre as posições sérvias. Os ataques de muçulmanos bósnios contribuem para quebrar o cerco sérvio e permitir o estabelecimento de rotas de abastecimento para a cidade.

Em novembro, negociações em Ohio, nos Estados Unidos, levam à assinatura do acordo de Dayton. A princípio, o território seria dividido numa federação muçulmana-croata com 51 por cento das terras e uma república sérvia com 49 por cento das terras. As duas partes seriam supervisionadas por um governo central.

Em dezembro, os presidentes da Bósnia, Sérvia e Croácia assinam o Tratado de Dayton e põem fim a três anos e meio de guerra. O conflito teve como resultado 200 mil mortos e a remoção de 2 milhões de pessoas de suas casas. Cerca de 10 mil pessoas morreram somente no cerco de Sarajevo. A OTAN envia tropas para manter a paz na região.

1996 - Uma comissão internacional descobre milhares de cadáves em grandes valas próximas a Srebrenica. Pelo menos 3 mil muçulmanos teriam sido assassinados pelos sérvios durante a guerra.

1999 - A Bósnia permanece em relativa tranqüilidade. O trabalho é de localização de desaparecidos e reconstrução de prédios públicos e residências. A ação de rebeldes kosovares, de origem albanesa, pela independência da região, motivam reação imediata dos sérvios. O exército iugoslavo envia tropas para região e os conflitos se espalham pelas principais cidades. A OTAN inicia um ataque aéreo à Sérvia em resposta às ações militares em Kosovo. Milhares de refugiados de origem albanesa chegam à Albânia, Montenegro e Macedônia.
 
 

2. O Movimento Palestino

Mustafa Yazbek - 1987

1879 - É fundado o primeiro estaelecimento agrícola de importância na Palestina.

1881/1882 - Período de perseguições aos judeus na Rússia.

1883/1890 - Promeiro período de emigração judaica maciça, rumo à Palestina.

1894/1899 - Na França, verifica-se o polêmico caso Dreyfus.

1896 - Publicações de O Estado Judeu, obra de Theodore Herzl, um dos mais importnates ideólogos do sionismo.

1897 - Realiza-se o primeiro congresso sionista, em Basiléia, na Suíça.

1882/1909 - A intervenção financeira do barão Edmond Rotschild livra da falência as pioneiras colônias na Palestina.

1899 - O primeiro Kibbutz é fundado por judeus provenientes da Rússia.

1903/1914 - Período da segunda grande onda de emigração judaica para a Palestina, proveniente, especialmente, da Polônia e de várias regiões da Europa Central.

1908 - Fundação da Agência Palestina, em Jaffa, pelo movimento sionista, com o objetivo de dar maiores incentivos à colonização.

1916 - Assinatura dos acordos Sykes-Picot, entre Inglaterra e França, providenciando a divisão do controle de regiões antes sob o domínio do Império Turco Otomano.

1917 - Através da declaração Balfour, o governo britânico manifesta-se de um lar nacional para o povo  judeu na Palestina. Naquele ano, os judeus na Palestina chegavam a 60.000, numa população de cerca 1.250.000 habitantes.

1917/1918 - Ocupação da Palestina pelos ingleses.

1920 - Os aliados partilham os mandatos sobre os territórios que pertencem ao império Otomano. Primeiros confrontos de gravidade têm lugar em Jerusalém, envolvendo árabes e judeus.

1921 - Cria-se a Transjordânia. Abdullah, irmão de Faisal, rei do Iraque, é nomeado emir. Em Jaffa, ocorrem viiolentos choques após um ataque feito por árabes contra judeus que participavam de um desfile no dia 1º de maio.

1922 - O chamado Livro Branco inglês determina a limitação da emigração judaica, condicionando-a à capacidade local de absorção econômica. Churchil revela-se contrário à criação de um Estado judeu na Palestina. A Sociedade das Nações declara sua aprovação do texto que regulamenta o mandato da  Grã-Bretanha sobre a Palestina. A mesma entidade <prova uma resolução inglesa determinando que o território da Transjordânia não seria afetado pelas disposições referentes ao "lar nacional judeu".

1929 - Sérios confrontos entre árabes e judeus, decorrentes de questões ligadas ao Muro das Lamentações, em Jerusalém. Manifestações contra a imigração judaica e contra a Declaração Balfourt. Em Zurich, é criada a Agência Judaica. A população judia. representa, nesse ano, 16% do total da populaçãoda Palestina.

1930 - Novas restrições à imigração de judeus, expressas no Livro Branco da Plestina.

1935 - Os judeus na Palestina atingem a proporção de 20% do total da população local.

1936 - Constituição do Comitê Superior Árabe, presidido pelo mufti Amin El Housseini.

1937 - A comissão de Peel propõe uma partilha da Palestina, com a criação de um estado judeu com superfície de 5.000km2.

1938 - Novo Livro Branco, em que se afirma a impossibilidade de aplicação da partilha da Palestina.

1939 - Outro Livro Branco do governo inglês, em que se determina o fim da imigração judaica após a entrada de 75.000 novos colonos, programada para ser realizada durante cinco anos.

1940 - Promulgação de uma lei que propíbe a judeus a aquisição de terras. A agência judaica organiza e incentiva a imigração ilegal.

1945 - Adoção de leis especiais contra a população judaica que continua, após a guerra mundial, seu combate contra a política do Livro Branco de 1939.

1946 - Nesse ano, judeus  representam 31% da população da Palestina. Uma comissão mista anglo-americana de inquérito sobre a Palestina determina a entrega de cem mil permissões de imigração para as vítimas judias do nazismo.

1947 - Após renunciar ao seu mandato sobre a Palestina, a Grã-Bretanha leva a questão à ONU. Adota-se, na ONU, um projeto de partilha da Palestina em dois Estados.

1948 - Os EUA propõem ao conselho de segurança da ONU a suspensão do projeto anterior de divisão, e a colocação da Palestina sob tutela internacional.

1949 - Fracasso das negociações promovidas pela ONU visando obter permissão de Israel para o retorno dos refugiados palestinos a seus lares. O governo israelense recusa-se a conceder autorização nesse sentido.

1949/1952 - Entrada maciça, em Israel, de judeus provenientes de todo o mundo.

1956 -  O Egito nacionaliza o canal de Suez. Em função do boicote árabe, fechando o canal e o porto de Eilath, e em virtude das freqüêntes incursões guerrilheiras.

1957 - Tropas da ONU ocupam territórios tomados por forças israelenses (Sinai e faixa de Gaza).

1962 - Tensão após o desvio de Israel das águas do rio Jordão, para utilizá-las em seu proveito.

1964 - Criação oficial da OLP, sob a presidência de Ahmed Choukeiri.

1965 - Sérios incidentes nas fronteiras de Jordânia e Síria com Israel, provocados pela guerrilha.

1967 - Ofensiva militar de Israel contra o Egito, Jordânia e Síria. Os israelenses ocupam Cisjordânia, Gaza, Sinai e Golan.

1968 - Invasão constante do teritório jordaniano por Israel.

1969 - Yasser Arafat é eleito presidente da OLP. Surge a FPLP (Frente Democrática Popular de Libertação da Palestina).

1970 - Penetração de tropas de Israel em território libanês, o que faz com que a ONU declare os israelenses como agressores.

1973 - A guerra do Yom Kippur surpreende os israelenses, abalando o mito do insuperável predomínio militar de Israel.

1974 - Yasser Arafat comparece à Assembléia Geral da ONU, onde faz um discurso na condição de representante do povo palestino.

1975/1976 - Guerra civil libanesa, que devasta o país, além de ter entre suas conseqüências um enorme desgaste para a resistência palestina num país que se tornara seu principal reduto político-militar.

1976 - A OLP manifesta-se disposta a aceitar a instalação de um governo palestino independente nos territórios ocupados.

1979 - O Egito, de acordo com os entendimentos de  Camp David, assina a paz em separação com Israel.

1980 - Enquanto a Assembléia Geral da ONU aprova resolução que exige a retirada de Israel dos territórios ocupados, o parlamento israelense aprova uma lei que determina a anexação do setor oriental de Jerusalém.

1981 - Ataques israelenses a Beirute e anexação de Golan.

1982 - Invasão do Líbano, seguida de cerco à OLP em Beirute.

1983 - Retirada de tropas israelenses para o sul do Líbano, onde sofreriam a pressão da guerrilha xiita, aliada circunstancialmente à guerrilha palestina.