[Após discutir as evidências que possuímos para explicar a origem do homem e a diferenciação racial, Rushton dá o seguinte sumário.]
Dada uma origem africana [do homem moderno] há
menos de 200.000 anos, uma dispersão para fora da África
a cerca de 100.000 anos, e a ocupação do resto do mundo após,
surge a questão de como estes eventos levaram às características
comportamentais encontradas nas raças. Por que os mongolóides
acabaram sendo os mais K-selecionados (1)? Eu concordo com aqueles que
propuseram que colonizar ambientes temperados e frios leva a exigências
cognitivas mais fortes para resolver os problemas de armazenamento de comida,
obtenção de abrigo, e sobrevivência em geral nos invernos
gelados (por exemplo, Calvin, 1990; R. Lynn, 1987, 1991a);
De tempos em tempos as população se movem
para novos ambientes que exigem mais inteligência para a sobrevivência.
Quando isto ocorre, as populações respondem desenvolvendo
cérebros maiores em comparação com o tamanho do corpo.
Cérebros maiores tem a capacidade de maior inteligência e
permite que as populações lidem com as novas exigências
do novo ambiente. Os povos caucasóides e mongolóides que
se desenvolveram na Eurásia sofreram pressões por maior inteligência
para lidar com os problemas da sobrevivência nas latitudes frias
do norte. A maioria dos últimos 80.000 anos foi mais fria do que
hoje. Durante a principal glaciação Würm de aproximadamente
24.000 a 10.000 anos atrás, as temperaturas de inverno da Europa
e da Ásia do norte caiu em 5º-15º. A terra se transformou
em prados gelados e tundra com apenas umas poucas árvores em vales
ribeirinhos protegidos; o ambiente era similar ao do Alasca atual.
Obter comida e se manter quente nestas condições
era um problema. Diferentemente dos trópicos e subtrópicos,
as plantas dependiam da estação e não estavam à
disposição por muitos meses durante o inverno e a primavera.
As pessoas portanto passaram a depender completamente da caça de
grandes herbívoros como os mamutes, cavalos e cervos para assegurar
seu suprimento de comida. Até mesmo entre caçadores-coletores
atuais, a quantidade de comida adquirida pela caça e pela coleta
depende da latitude. Povos em latitudes tropicais e subtropicais eram na
maioria coletores, enquanto povos em ambientes temperados dependiam mais
da caça. Povos em ambientes árticos e sub-árticos
dependiam quase exclusivamente da caça, junto com a pesca, e faziam
isso por necessidade, já que as plantas não estavam disponíveis
durante a maior parte do tempo.
Caçar nas planícies abertas da Eurásia
do norte era muito mais difícil do que caçar nas florestas
dos trópicos e subtrópicos porque lá existem muitos
locais onde os caçadores podem se esconder. O único modo
de se caçar em planícies abertas é utilizar armadilhas
naturais para onde os animais pudessem ser levados. Uma das armadilhas
mais comuns era uma ravina estreita onde algum dos animais iria escorregar
e poderia ser atacado com lanças pelos membros do grupo esperando
escondidos. Adicionalmente, os herbívoros poderiam ser cercados
e empurrados de cima de penhascos, em buracos ou em curvas de rios.
Para a caça eficiente dos grandes herbívoros
as pessoas precisariam fabricar uma grande variedade de objetos de pedra,
madeira e ossos para fazer pontas de lança e para cortar. Quando
estas pessoas caçavam um grande herbívoro, era necessário
cortar sua pele e dividi-lo em pedaços que pudessem ser carregados
de volta ao campo-base. Para isso, era necessário fabricar uma varidade
de ferramentas sofisticas para corte.
Outra série de problemas das latitudes do norte
seria como se manter quente. As pessoas tinham que solucionar os problemas
da obtenção de fogo, roupas e abrigo. Seria muito mais difícil
fazer fogo na Eurásia do que na África, onde fogos espontâneos
na mata seriam freqüentes. Na Eurásia durante as glaciações
não haveriam fogos espontâneos na mata. As pessoas precisariam
fazer fogo pela fricção ou percussão numa terra onde
existia pouca madeira. Provavelmente grama seca tivesse que ser estocada
em cavernas como material para ser queimado, e o principal combustível
seria esterco, gordura animal, e ossos. Em adição, roupas
e locais de abrigo eram desnecessários na África subsaariana
mas foram feitos na Europa durante a principal glaciação
Würm. Agulhas foram feitas de ossos para costurar peles de animais,
e abrigos foram construídos de grandes ossos e peles. Torrence (1983)
demonstrou uma associação entre latitude e o número
e complexidade das ferramentas usadas pelos caçadores-coletores
contemporâneos.
Assim, as exigências cognitivas para a fabricação
de ferramentas sofisticadas e fogo, roupas, e abrigos (bem como para regular
o suprimento de comida; Miller, 1991) teria selecionado uma inteligência
média mais alta do que o ambiente menos exigente cognitivamente
da África subsaariana. Aqueles indivíduos que não
conseguissem resolver os problemas da sobrevivência teriam morrido,
deixando aqueles com alelos [forma de um gene] de inteligência maior
como os sobreviventes.
Nos dados expostos no capítulo VI, as habilidades
gerais, verbais e visoespaciais são todas maiores nos caucasóides,
se comparados com os negróides. A magnitude da vantagem caucasóide
era a mesma para as três habilidades, de cerca de 30 pontos de QI
se comparados com africanos nativos e 15 pontos de QI se comparados com
afro-americanos e afro-caribenhos. É provável que as três
habilidades sofreram pressão ambiental para sua melhoria na Eurásia
na mesma extensão.
A inteligência dos mongolóides se desenvolveu
algo diferentemente. Enquanto os povos mongolóides tem inteligência
geral apenas um pouco acima da dos caucasóides, eles possuem habilidades
visoespaciais muito maiores, e, de fato, habilidades verbais um pouco mais
fracas. R. Lynn (1987, 1991a) atribuiu a evolução deste padrão
aos invernos ainda mais rigorosos experimentados pelos mongolóides
se comparados com os caucasóides. Evoluindo na Sibéria, onde,
na principal glaciação Würm, as temperaturas eram 5º-15º
menores do que hoje, os povos da Ásia do noroeste se encontraram
entre o gelo do Himalaia no sul e a região ártica no norte.
Em resposta a este frio extremo, os mongolóides desenvolveram adaptações
peculiares para reduzir a perda de calor, incluindo faces mais lisas, membros
menores, e os olhos "puxados" que oferecem proteção contra
o frio e o brilho do sol na neve. Sob estas condições
adversas, a seleção natural favoreceu a inteligência
geral e mais inteligência visoespacial do que verbal, devido ao papel
vital da primeira na fabricação de armas e ferramentas sofisticadas,
e para o planejamento e execução de estratégias de
caça em grupo.
R. Lynn (1991a) também descreveu um cenário
para a evolução da inteligência dos asiáticos
do sudeste e dos ameríndios. Apesar de que os asiáticos do
sudeste tiveram alguma exposição a invernos frios antes de
migrar para o sul, e assim foram selecionados para inteligência um
pouco maior, eles teriam sido selecionados menos que os caucasóides
e os mongolóides do norte. Assim, sua inteligência ficou num
patamar superior à dos negróides, mas não chegou a
um nível tão alto como a dos caucasóides e mongolóides.
A respeito dos ameríndios, eles são descendentes de um povo
mongolóide arcaico que entrou nas Américas antes da principal
glaciação Würm de aproximadamente 24.000-10.000 anos
atrás, que produziu as feições mongolóides
"clássicas" com suas habilidades cognitivas extremamente altas.
Assim, a primeira glaciação Würm de 40.000 anos atrás
começou as características mongolóides arcaicas de
habilidades visoespaciais mais fortes e habilidades verbais mais fracas,
e depois uma pressão seletiva subseqüente, como a principal
glaciação Würm, elevou todas as características
mongolóides, deixando os ameríndios num nível mais
baixo.
Depois que os proto-mongolóides cruzaram o Estreito
de Bering e continuaram seu caminho descendo as Américas, eles encontrariam
uma vida mais fácil do que aquela a que seus ancestrais estavam
acostumados na Ásia do norte. Eles encontrariam um grande número
de mamíferos herbívoros como mamutes, cavalos, antílopes
e bisões, que estavam desacostumados a serem caçados pelo
homem. Sem ter experiência de predação pelo homem eles
seriam presas fáceis para os caçadores experientes que tinham
evoluído por milhares de anos no ambiente mais difícil da
Ásia do norte. Continuando para o sul, os proto-mongolóides
descobririam que as plantas comestíveis estavam à disposição.
Assim, a sobrevivência seria mais fácil e a seleção
para um continuado aumento das habilidades cognitivas seria relaxada.
(1) A escala r-K é utilizada para comparar o comportamento
reprodutivo de dois animais, geralmente de espécies muito diferentes.
De um lado estão estratégias r, que enfatizam grandes taxas
reprodutivas, e do outro, estratégias K, que enfatizam grandes taxas
de investimento parental na criação. Todos os seres humanos
são, se comparados com outras espécias, K. Rushton desenvolveu
uma teoria, que defende em seu livro, de que com o curso da diferenciação
racial os negros (negróides) acabaram sendo os mais r dos humanos,
seguidos pelos brancos (caucasóides), e os orientais (mongolóides)
acabaram se tornando os mais K. Para enfatizar que as diferenças
entre seres humanos são muito pequenas, Rushton chamou sua teoria
de differential K theory. [Nota de Freiheit].