Diferenciação Racial
   Retirado de Race, Evolution and Behavior, a Life-History
                               Perspective,
                     de J. Phillippe Rushton, 1997.

[Após discutir as evidências que possuímos para explicar a origem do homem e a diferenciação racial, Rushton dá o seguinte sumário.]

Dada uma origem africana [do homem moderno] há menos de 200.000 anos, uma dispersão para fora da África a cerca de 100.000 anos, e a ocupação do resto do mundo após, surge a questão de como estes eventos levaram às características comportamentais encontradas nas raças. Por que os mongolóides acabaram sendo os mais K-selecionados (1)? Eu concordo com aqueles que propuseram que colonizar ambientes temperados e frios leva a exigências cognitivas mais fortes para resolver os problemas de armazenamento de comida, obtenção de abrigo, e sobrevivência em geral nos invernos gelados (por exemplo, Calvin, 1990; R. Lynn, 1987, 1991a);
De tempos em tempos as população se movem para novos ambientes que exigem mais inteligência para a sobrevivência. Quando isto ocorre, as populações respondem desenvolvendo cérebros maiores em comparação com o tamanho do corpo. Cérebros maiores tem a capacidade de maior inteligência e permite que as populações lidem com as novas exigências do novo ambiente. Os povos caucasóides e mongolóides que se desenvolveram na Eurásia sofreram pressões por maior inteligência para lidar com os problemas da sobrevivência nas latitudes frias do norte. A maioria dos últimos 80.000 anos foi mais fria do que hoje. Durante a principal glaciação Würm de aproximadamente 24.000 a 10.000 anos atrás, as temperaturas de inverno da Europa e da Ásia do norte caiu em 5º-15º. A terra se transformou em prados gelados e tundra com apenas umas poucas árvores em vales ribeirinhos protegidos; o ambiente era similar ao do Alasca atual.
Obter comida e se manter quente nestas condições era um problema. Diferentemente dos trópicos e subtrópicos, as plantas dependiam da estação e não estavam à disposição por muitos meses durante o inverno e a primavera. As pessoas portanto passaram a depender completamente da caça de grandes herbívoros como os mamutes, cavalos e cervos para assegurar seu suprimento de comida. Até mesmo entre caçadores-coletores atuais, a quantidade de comida adquirida pela caça e pela coleta depende da latitude. Povos em latitudes tropicais e subtropicais eram na maioria coletores, enquanto povos em ambientes temperados dependiam mais da caça. Povos em ambientes árticos e sub-árticos dependiam quase exclusivamente da caça, junto com a pesca, e faziam isso por necessidade, já que as plantas não estavam disponíveis durante a maior parte do tempo.
Caçar nas planícies abertas da Eurásia do norte era muito mais difícil do que caçar nas florestas dos trópicos e subtrópicos porque lá existem muitos locais onde os caçadores podem se esconder. O único modo de se caçar em planícies abertas é utilizar armadilhas naturais para onde os animais pudessem ser levados. Uma das armadilhas mais comuns era uma ravina estreita onde algum dos animais iria escorregar e poderia ser atacado com lanças pelos membros do grupo esperando escondidos. Adicionalmente, os herbívoros poderiam ser cercados e empurrados de cima de penhascos, em buracos ou em curvas de rios.
Para a caça eficiente dos grandes herbívoros as pessoas precisariam fabricar uma grande variedade de objetos de pedra, madeira e ossos para fazer pontas de lança e para cortar. Quando estas pessoas caçavam um grande herbívoro, era necessário cortar sua pele e dividi-lo em pedaços que pudessem ser carregados de volta ao campo-base. Para isso, era necessário fabricar uma varidade de ferramentas sofisticas para corte.
Outra série de problemas das latitudes do norte seria como se manter quente. As pessoas tinham que solucionar os problemas da obtenção de fogo, roupas e abrigo. Seria muito mais difícil fazer fogo na Eurásia do que na África, onde fogos espontâneos na mata seriam freqüentes. Na Eurásia durante as glaciações não haveriam fogos espontâneos na mata. As pessoas precisariam fazer fogo pela fricção ou percussão numa terra onde existia pouca madeira. Provavelmente grama seca tivesse que ser estocada em cavernas como material para ser queimado, e o principal combustível seria esterco, gordura animal, e ossos. Em adição, roupas e locais de abrigo eram desnecessários na África subsaariana mas foram feitos na Europa durante a principal glaciação Würm. Agulhas foram feitas de ossos para costurar peles de animais, e abrigos foram construídos de grandes ossos e peles. Torrence (1983) demonstrou uma associação entre latitude e o número e complexidade das ferramentas usadas pelos caçadores-coletores contemporâneos.
Assim, as exigências cognitivas para a fabricação de ferramentas sofisticadas e fogo, roupas, e abrigos (bem como para regular o suprimento de comida; Miller, 1991) teria selecionado uma inteligência média mais alta do que o ambiente menos exigente cognitivamente da África subsaariana. Aqueles indivíduos que não conseguissem resolver os problemas da sobrevivência teriam morrido, deixando aqueles com alelos [forma de um gene] de inteligência maior como os sobreviventes.
Nos dados expostos no capítulo VI, as habilidades gerais, verbais e visoespaciais são todas maiores nos caucasóides, se comparados com os negróides. A magnitude da vantagem caucasóide era a mesma para as três habilidades, de cerca de 30 pontos de QI se comparados com africanos nativos e 15 pontos de QI se comparados com afro-americanos e afro-caribenhos. É provável que as três habilidades sofreram pressão ambiental para sua melhoria na Eurásia na mesma extensão.
A inteligência dos mongolóides se desenvolveu algo diferentemente. Enquanto os povos mongolóides tem inteligência geral apenas um pouco acima da dos caucasóides, eles possuem habilidades visoespaciais muito maiores, e, de fato, habilidades verbais um pouco mais fracas. R. Lynn (1987, 1991a) atribuiu a evolução deste padrão aos invernos ainda mais rigorosos experimentados pelos mongolóides se comparados com os caucasóides. Evoluindo na Sibéria, onde, na principal glaciação Würm, as temperaturas eram 5º-15º menores do que hoje, os povos da Ásia do noroeste se encontraram entre o gelo do Himalaia no sul e a região ártica no norte. Em resposta a este frio extremo, os mongolóides desenvolveram adaptações peculiares para reduzir a perda de calor, incluindo faces mais lisas, membros menores, e os olhos "puxados" que oferecem proteção contra o frio e o brilho do sol na neve.  Sob estas condições adversas, a seleção natural favoreceu a inteligência geral e mais inteligência visoespacial do que verbal, devido ao papel vital da primeira na fabricação de armas e ferramentas sofisticadas, e para o planejamento e execução de estratégias de caça em grupo.
R. Lynn (1991a) também descreveu um cenário para a evolução da inteligência dos asiáticos do sudeste e dos ameríndios. Apesar de que os asiáticos do sudeste tiveram alguma exposição a invernos frios antes de migrar para o sul, e assim foram selecionados para inteligência um pouco maior, eles teriam sido selecionados menos que os caucasóides e os mongolóides do norte. Assim, sua inteligência ficou num patamar superior à dos negróides, mas não chegou a um nível tão alto como a dos caucasóides e mongolóides. A respeito dos ameríndios, eles são descendentes de um povo mongolóide arcaico que entrou nas Américas antes da principal glaciação Würm de aproximadamente 24.000-10.000 anos atrás, que produziu as feições mongolóides "clássicas" com suas habilidades cognitivas extremamente altas. Assim, a primeira glaciação Würm de 40.000 anos atrás começou as características mongolóides arcaicas de habilidades visoespaciais mais fortes e habilidades verbais mais fracas, e depois uma pressão seletiva subseqüente, como a principal glaciação Würm, elevou todas as características mongolóides, deixando os ameríndios num nível mais baixo.
Depois que os proto-mongolóides cruzaram o Estreito de Bering e continuaram seu caminho descendo as Américas, eles encontrariam uma vida mais fácil do que aquela a que seus ancestrais estavam acostumados na Ásia do norte. Eles encontrariam um grande número de mamíferos herbívoros como mamutes, cavalos, antílopes e bisões, que estavam desacostumados a serem caçados pelo homem. Sem ter experiência de predação pelo homem eles seriam presas fáceis para os caçadores experientes que tinham evoluído por milhares de anos no ambiente mais difícil da Ásia do norte. Continuando para o sul, os proto-mongolóides descobririam que as plantas comestíveis estavam à disposição. Assim, a sobrevivência seria mais fácil e a seleção para um continuado aumento  das habilidades cognitivas seria relaxada.
(1) A escala r-K é utilizada para comparar o comportamento reprodutivo de dois animais, geralmente de espécies muito diferentes. De um lado estão estratégias r, que enfatizam grandes taxas reprodutivas, e do outro, estratégias K, que enfatizam grandes taxas de investimento parental na criação. Todos os seres humanos são, se comparados com outras espécias, K. Rushton desenvolveu uma teoria, que defende em seu livro, de que com o curso da diferenciação racial os negros (negróides) acabaram sendo os mais r dos humanos, seguidos pelos brancos (caucasóides), e os orientais (mongolóides) acabaram se tornando os mais K. Para enfatizar que as diferenças entre seres humanos são muito pequenas, Rushton chamou sua teoria de differential K theory. [Nota de Freiheit].