EFEITOS DA GLOBALIZAÇÃO

                                                                  Neresgton Ribeiro Mendes Neto.

México

Em janeiro de 1995, enquanto o mundo acompanhava estupefato as terríveis cenas de destruição do terremoto de Kobe no Japão, que matou mais de cinco mil pessoas, um outro terremoto abalava literalmente o sistema financeiro internacional: em 15 dias o peso mexicano desvalorizou-se em 60%, provocando uma fuga em massa de divisas do país e desencadeando uma onda de desconfiança em todos os mercados financeiros dos países em desenvolvimento, o chamado "efeito tequila" (bebida nacional mexicana).
Temendo que a crise se alastrasse por todo o mundo, com resultados catastróficos, o governo americano arregimentou um inédito pacote de ajuda ao México no valor de 47,5 bilhões de dólares. O mundo econômico parou então para tomar fôlego e respirar aliviado. A Itália, por exemplo, com sua dívida de 1,2 trilhão de dólares, equivalente a 120% do seu PIB, havia escapado de um colapso econômico certo. Os suspiros mundiais de alívio foram, todavia, acompanhados de declarações que não escondiam a perplexidade e o medo: "Estivemos muito próximos de um colapso mundial, os sinais foram muito claros.
(…) No mesmo dia da quebra do México o mundo já sentiu seus efeitos." Charles Dallara:
(Instituto Internacional de Finanças - EUA)
"Esta foi a primeira crise do século XXI. (…) [A ajuda] representa o maior desembolso dos 50 anos de história do Fundo." Michel Camdessus  (diretor-gerente do FMI)
"Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Todos diziam que o país ia bem. Agora, estamos ameaçados de perder tudo o que conseguimos." Maria Luisa Martínez Lara (dona de casa mexicana) "Nós vivíamos um sonho que acabou, e agora não tem outro jeito senão enfrentar o pesadelo até ele passar." Juan Fernandez Gomes (arquiteto mexicano - declaração feita um ano após a crise) Só no mês de janeiro de 1995, 250 mil mexicanos perderam seus empregos e 4 mil empresas fecharam as portas. Em abril daquele ano, as vendas no varejo caíram 32,7% , fato que provocou "enorme impacto nos círculos governamentais", segundo uma matéria de jornal. Em maio, a taxa de desemprego era 106% maior do que a do mesmo período em 1994. Em junho havia no país 2,2 milhões de desempregados, metade dos quais haviam perdido o emprego nos primeiros quatro meses do ano. O PIB do país caiu 10,5% no segundo trimestre de 95 em relação ao mesmo período de 94, a maior queda desde os anos 30, época da Grande Depressão. A inadimplência dos mexicanos com o sistema bancário do país havia gerado até então 3.700 prisões, 387 suicídios e 1 milhão e 730 mil bens embargados pela Justiça. Nada disso impediu que em agosto de 95 o sistema bancário mexicano chegasse à beira da falência, em decorrência do gigantesco aumento das carteiras vencidas. Enquanto isso, o porta-voz do Ministério do Trabalho tentava tranqüilizar a população, declarando sucintamente que "até o final do ano a situação deveria melhorar". O ministro da Economia foi mais realista numa palestra para investidores em Nova York, em setembro de 1995: "O México está neste momento no fundo do poço em termos de recessão, e a maior preocupação do governo agora é com o desemprego."
Em junho de 1995, a dívida externa mexicana já era a maior do mundo, com seus 147,5 bilhões de dólares. Dois meses depois atingia 165 bilhões de dólares. A previsão era de que até o final do ano atingisse os 200 bilhões de dólares, um recorde inimaginável desde o início da história econômica mundial.
Em outubro de 1995 o poder aquisitivo dos salários havia caído 25% em termos reais desde dezembro de 1994. O emprego informal (leia-se subemprego) representava então 45% do total da força de trabalho, o equivalente a 13 milhões de pessoas. A rapidez e violência da crise mexicana deixou o mundo perplexo e o sistema financeiro internacional atônito. Mais do que qualquer outra crise econômica até então observada, esta havia trazido para as conversas cotidianas, tanto de mexicanos como de outros povos que a acompanharam, temas como desemprego, queda do padrão de vida, angústia em relação ao futuro… em suma: insegurança. Numa matéria intitulada "Mexicanos ficam perplexos", o jornalista Anthony de Palma do jornal americano The New York Times assim se referiu sobre o assunto em julho de 1995: "O que preocupa muitos mexicanos, no entanto, não é apenas o fato de terem de apertar os cintos. Eles se lembram como, há pouco mais de um ano, a economia mexicana era elogiada e o Primeiro Mundo parecia tão próximo. E o que assusta é exatamente isso: descobrir como um modo de vida pode desmoronar de um momento para o outro. Sem rede de proteção"[grifo meu]. Um ano depois da eclosão da crise a situação do país era a seguinte: Queda do rendimento assalariado estimado entre 36,4% e 60%; Índice de desemprego duplicado em um ano; Cerca de 35% da população vivendo em situação de pobreza ou pobreza extrema, de acordo com o Banco Mundial;Queda de 45% na atividade da construção civil; Cerca de 39% das empresas completamente paralisadas, muitas com falência decretada; Crescimento econômico
negativo de 7%; Queda de 33,3% do Produto Interno Bruto per capita em um ano; Aumento de 128% na taxa anual de inadimplência, atingindo 50% das empresas mexicanas; Queda de 50% no investimento externo; 83% das reservas nacionais despendidas com juros da dívida. As notícias em 1996 continuaram no mesmo ritmo: Em fevereiro a economia registrou o pior resultado em 60 anos. Em maio, só a capital abrigava um milhão de desempregados, correspondendo a um terço da população economicamente ativa da metrópole. Em junho, o presidente informava que a crise já tinha consumido 25% do PIB (cerca de 70 bilhões de dólares). Em julho, metade da população do país estava desempregada. O número de crimes graves cresceu 15% em relação a 1995, que já havia aumentado 52% em relação a 1994. A economia mexicana é hoje tão frágil, e o mundo financeiro tão interdependente, que uma simples onda de boatos deflagrada no início de 1996 - falando de renúncia de ministro, fechamento do Banco Central e golpe militar - foi suficiente para sacudir novamente a economia e fazer estremecer o mundo mais uma vez.
Milhões de dólares foram gastos para segurar a cotação do peso, que numa queda histórica perdeu 40% do seu valor em um único dia.
Em janeiro de 1997, uma notícia surpreendente: o México teria saldado sua dívida com os Estados Unidos três anos antes do vencimento. Essa notícia certamente contribuiu para a reeleição do presidente americano, principalmente porque ninguém se preocupou em esclarecer que a dívida antiga fora saldada através de um novo endividamento… Em outubro, por conta já dos efeitos da crise asiática, o peso mexicano atingiu a pior cotação de todos os tempos, e de acordo com uma matéria jornalística, foi "o golpe mais duro desde a crise financeira de 1994/95". Um analista mexicano afirmou na época: "O mercado está extremamente nervoso, e o que vimos ontem foi um banho de sangue." Em novembro, o governo calculava entre 14 e 20 milhões o número de mexicanos que viviam abaixo da linha de miséria. O número de ambulantes na Cidade do México havia duplicado em relação à 1995, chegando a 150 mil pessoas, ou 500 mil, de acordo com a Associação de Ambulantes.
 

Japão

De acordo com o Relatório sobre o Desenvolvimento do Banco Mundial - edição 1994 - o Japão é a 2ª nação mais rica do mundo pelo critério de renda per capita (US$ 28.100), ficando atrás apenas da Suíça.
Em 1997, o PIB per capita japonês era de quase US$ 35 mil, a poupança interna era de US$ 12 trilhões e o superávit comercial de US$ 91 bilhões. Esses números impressionantes, porém, não impediram que essa potência econômica passasse a enfrentar na década de 90 a sua mais grave crise econômico-financeira desde o final da Segunda Guerra Mundial. As instituições de crédito no Japão têm dívidas a receber que oscilam, segundo algumas estimativas, entre 450 e 800 bilhões de dólares. São dívidas que, sabe-se, não serão pagas. O risco de falência bancária e a conseqüente desintegração financeira do país amedrontam hoje banqueiros de todo o mundo. O país vive uma situação que mistura queda generalizada dos preços, aumento sem precedentes do desemprego e estagnação do mercado imobiliário, o que se traduz por uma fortíssima recessão. Em julho de 1995, o número de desempregados alcançava 2,12 milhões, um recorde no período de pós-guerra. Nos nove meses seguintes mais 230 mil japoneses ficaram sem ocupação. A inusitada situação de nação rica atolada em problemas financeiros foi objeto de inúmeros artigos e matérias publicados em vários jornais e revistas especializadas a partir do segundo semestre de 1995. Um desses artigos sintetizava o problema desta forma: "A população japonesa vem lutando para enfrentar a recessão pela primeira vez em muitas décadas. A economia escorregou rapidamente da recessão para uma queda brusca. (…) A economia japonesa está à beira de uma perigosa espiral deflacionária de preços ao consumidor e de bens ativos em queda, débitos crescentes e queda na produção, uma situação inédita seja para os EUA seja para a Europa do período pós-guerra." Em agosto de 1995, o Ministério das Finanças do Japão emitiu uma declaração pouco convincente em que admitia que o problema bancário japonês era "grave mas não inadministrável". Nesse mesmo mês o FMI lançava um documento intitulado "Alerta Japão", onde advertia que a potência asiática estava atravessando o pior ciclo recessivo desde o pós-guerra, e que deveria tomar "medidas radicais" para estimular a atividade econômica. Sem essas medidas, prosseguia o documento, "o agravamento da recessão japonesa coloca em risco a estabilidade da economia mundial" [grifo meu]. Naquele mês, o número de falências havia crescido 21% em relação a julho, num total de 1.361 casos, o maior número dos últimos nove anos. Em fevereiro de 1997, durante a realização do Fórum Econômico Mundial, o Japão foi apontado como o grande problema da economia internacional, um entrave ao capitalismo e, até mesmo, uma ameaça à estabilidade financeira mundial. O temor de uma crise bancária fez muitos japoneses sacarem suas economias e, ainda em agosto de 1995, falia a primeira instituição de crédito, a Cosmos Shinyo Kumai. Alguns dias depois quebravam o banco Hyogo e a Caixa de Poupança Kizu. Os clientes do Kizu haviam retirado da instituição 1,02 bilhão de dólares em poucos dias. "O pânico não deve se alastrar", disse, na ocasião, num misto de afirmação e pedido, o presidente do Banco Central do Japão. Da época dessa declaração até novembro de 1997, mais nove grandes bancos japoneses quebraram. Tudo isso acontecendo num país que tem a mais poderosa rede bancária do mundo. Dos dez maiores bancos mundiais, os nove primeiros são (ou eram) japoneses.
De acordo com o jornal Financial Times, 17 dos 21 maiores bancos do Japão haviam registrado prejuízos entre 1995 e 1996, bancos esses tidos, até pouco tempo, como "os mais sólidos do mundo". Na tentativa de tirar a economia da estagnação, o governo japonês baixou a taxa de juros para 0,5% ao ano em setembro de 1995, a menor taxa de toda a história econômica japonesa. Anunciou ainda um pacote de estímulo econômico de US$ 100 bilhões de dólares e um corte nos impostos de US$ 20,2 bilhões. No início de 1998, o parlamento japonês já havia aprovado mais de US$ 600 bilhões em pacotes de estímulo à economia, sem nenhum resultado. É interessante notar que, assim como em outros setores da vida humana, a situação econômica mundial no presente mostra invariavelmente uma seqüência de superlativos: "a maior recessão do pós-guerra", "a maior inflação dos últimos 90 anos", "o maior índice de desemprego do século", etc., etc. Isso também nada mais é que uma decorrência da aceleração dos efeitos do Juízo agora, em seus últimos anos. Tudo encontra-se acelerado, de modo que os "recordes" vão sendo batidos ano após ano. No final de setembro de 1995, o pacote-estímulo já havia sido elevado para 137 bilhões de dólares. Antes de poder esboçar qualquer comemoração, o mercado financeiro mundial foi surpreendido pela notícia de que o banco Daiwa, um dos dez maiores bancos comerciais do Japão e 19° do mundo, havia acumulado prejuízos de 1,1 bilhão de dólares, os quais haviam sido zelosamente ocultados por 11 anos. Em outubro foi a vez do banco Fuji, uma das maiores instituições financeiras do Japão, vir a público desmentir os rumores de perdas de quase três bilhões de dólares, desmentidos que não evitaram um novo abalo no sistema bancário do país. Na época, a jornalista Sheryl Wudunn, do The New York Times, escreveu: "Os pesadelos dos banqueiros internacionais não são hoje provocados pelas endividadas nações do Terceiro Mundo, mas sim pelo sistema bancário da segunda maior potência do planeta: o Japão!" Ainda em meados de outubro de 1995, o Fed (Federal Reserve - banco central americano), de acordo com o jornalista Keith Bradsher do jornal The New York Times, "ofereceu ajuda bilionária ao Japão para evitar um caos financeiro que abalaria os EUA". O Fed temia na época a quebra de 400 bancos japoneses. O temor americano ficou patente nesses trechos da matéria de Keith Bradsher: "O acordo é o primeiro de que se tem notícia em que o Fed procura se resguardar com antecedência contra uma possível crise. (…) A decisão reflete a preocupação das autoridades financeiras dos EUA com o potencial de transtornos das instituições financeiras japonesas. (…) No pior dos casos, na avaliação do Fed, ocorreria uma reação em cadeia de inadimplências que afetariam os bancos no mundo todo…" No final do mês, o governo japonês fez um constrangedor pedido de "compreensão" aos investidores internacionais, para que cancelassem US$ 60 bilhões em obrigações do falido banco Hyogo. Em novembro de 1995 havia um temor geral de que a crise dos bancos japoneses fosse o estopim de uma depressão de âmbito mundial, nos moldes da ocorrida em 1929. Em Paris, o consultor econômico internacional, Stanley Teitelbaun, estimava que os créditos de liquidação duvidosa de 150 bancos do Japão somavam, na verdade, US$ 1,2 trilhão. "Há uma suspeita bastante disseminada de que as autoridades japonesas estão deliberadamente escondendo a situação, por medo de provocar pânico", asseverava Teitelbaun.
Em junho de 1996 foi a vez do gigante Sumitomo informar ter sido vítima de operações ilegais de seus operadores por um período de dez anos, que provocaram prejuízos estimados em US$ 1,8 bilhão. Depois veio o pedido de dissolução da respeitável empresa de crédito imobiliário Nichiei Finance. Em novembro, o governo japonês decretava a falência do Banco Hanwa. Durante o ano de 1997, seis instituições bancárias japonesas fecharam suas portas. A última da série foi a Yamaichi Securities, no mês de novembro, depois de cem anos de atividade. Foi a maior falência da história do Japão (até agora). Uma reportagem da revista Isto É de 3.12.97 resumiu assim o acontecimento: "A queda da Yamaichi assinalou, num ideograma dramático, que a segunda maior economia do mundo, usina de força da região econômica mais dinâmica do planeta, fora atingida pelo maremoto financeiro que vem arrasando a Ásia desde julho.
Ele eclodiu na Tailândia, e como um verdadeiro Tsunami - as ondas catastróficas do Pacífico - já engolfou Indonésia, Malásia, Filipinas, Hong Kong e Coréia do Sul. Agora foi a vez do Japão. Em menos de um mês, três instituições financeiras foram jogadas na lona. Os próprios japoneses estimam que as baixas não ficarão por aí." O editorial da revista mais parecia um réquiem nipônico: "Todos viam o Japão como o modelo de eficiência industrial, da tecnologia de ponta, da disciplina administrativa, dos conceitos milenares e dos grandes, imensos resultados comerciais. Agora terão de adicionar uma nova faceta: a de potência quebrada. (...) Que os países emergentes, com as suas arriscadas aventuras de crescimento, fossem alvos de ataques e balançassem, era até esperado. Mas nunca, nem na dos mais radicais pessimistas, deve ter passado pela cabeça o prognóstico de que o Japão entraria em crise." Quando a crise econômica dos países asiáticos começou a ficar realmente séria, por volta de outubro de 1997, o diário nipônico Sankey Shimbum informou que o Japão iria contribuir com US$ 50 bilhões para a criação de um fundo de ajuda às economias em dificuldades da região. Como se o próprio Japão não estivesse atolado em dificuldades econômicas... Um mês depois daquele anúncio, o estrategista econômico do Crédit Lyonnais, Russel Napier, fez a seguinte declaração: "A contaminação do mercado financeiro japonês pela crise nas vizinhas Coréia e Hong Kong é um fato consumado, e a derrocada do sistema financeiro japonês poderá ter um impacto global tão forte que fará o recente crash do sudeste asiático parecer brincadeira de criança." E o jornal londrino Financial Times completou num editorial: "Os grandes investidores estão se desfazendo de suas posições em ienes com receio de um colapso na economia japonesa. Começa um ciclo de descrédito japonês." No ano de 1995, enquanto começava a se avolumar a crise bancária, as reservas econômicas do Japão em moeda estrangeira atingiam, em novembro, um novo recorde mundial: 181 bilhões de dólares, marcando o décimo mês de recorde consecutivo. Doze meses depois já estavam em 224 bilhões de dólares. A poupança interna de 12 trilhões de dólares, registrada em 1997, é quatro vezes maior que o próprio PIB do país, correspondendo a um terço de toda a poupança mundial. Que se deve depreender de todas essas notícias? Que uma nação riquíssima, que continua com os cofres cada vez mais abarrotados, não está livre de um colapso financeiro que se imaginava só poder atingir países com dificuldades econômicas crônicas.
Os efeitos do Juízo não levam em conta a riqueza material das nações ou das pessoas para dosar a retribuição daquilo que compete a cada um. Se uma pessoa ou um povo tem de experimentar hoje a insegurança com relação ao futuro, bilhões ou trilhões de dólares não impedirão isso. A sociedade japonesa, aliás, com seu pendor unilateral para o desenvolvimento econômico e tecnológico, em detrimento do desenvolvimento espiritual, não poderá evidentemente esperar bons efeitos na atuação da Lei da Reciprocidade. Há algum tempo uma pesquisa indicou que mais da metade dos japoneses não acreditavam em Deus. Não é preciso ser profeta para prever o que advirá agora, na prestação final de contas. Nada, absolutamente nada do que é errado poderá subsistir.
 

Rússia

Em agosto de 1995, o Banco Central da Rússia se viu obrigado a realizar uma gigantesca operação de socorro no sistema bancário do país, que num único dia viveu uma crise de liquidez tão grave que ameaçou quebrar pelo menos uma centena de bancos. O Banco Central permaneceu intervindo no sistema "para evitar pânico ou uma onda de quebras", nas palavras do presidente da instituição. Uma semana depois os jornais noticiavam que a "confiança no sistema financeiro do país havia sido afetada", e o gerente-geral de um grande banco russo admitia que "seis ou sete instituições ainda poderiam quebrar". O presidente russo reuniu-se então com os representantes dos maiores bancos do país na busca de uma estratégia para evitar o colapso financeiro. Depois de um dia inteiro de tratativas o dirigente da nação chegou a um diagnóstico: "Nossos banqueiros são incompetentes para lidar com a nova situação de uma economia de mercado em processo de internacionalização." Se o presidente russo se inteirasse das notícias econômicas que davam volta ao mundo naquele momento, verificaria que não se tratava de um problema de incompetência, mas sim de algo muito maior, contra o qual as ações humanas vêm obtendo resultados desanimadores em todos os países. Naquela semana, o volume diário de depósitos nos bancos russos caiu para 10% do volume normal, ameaçando paralisar de vez o sistema financeiro do país. O presidente russo revelou que "um em cada cinco bancos estavam à beira da bancarrota", e o dirigente de uma grande instituição financeira previu a quebra de pelo menos 10% dos 3 mil bancos do país que, segundo os próprios banqueiros, precisariam ser reduzidos para um número próximo de cem. Uma pesquisa realizada em novembro de 1995 revelou que a população considerava a crise econômica como o pior problema existente atualmente na Rússia, deixando em 2º e 3º lugares respectivamente as preocupações com a qualidade de vida e a manutenção da paz. Um resultado compreensível, já que o padrão de vida médio da família russa caíra quase pela metade desde o início das reformas econômicas.
Em maio de 1996, o Banco Central manifestava seu receio de que "uma quebradeira no sistema financeiro russo fosse inevitável". Um desastre que até não afetaria muito cerca de um quarto dos trabalhadores do país (entre 16 e 18 milhões de pessoas), que em outubro estavam a meses sem receber seus salários. O jornal Trud anunciava: "Um exército de pessoas não receberam pelo seu trabalho e a pobreza está apertando a garganta de milhões de russos, sem piedade." É justamente por causa desse quadro sombrio, repleto de riscos financeiros, que a bolsa de valores de Moscou foi a que ofereceu o maior rendimento em todo o mundo em 1996: 155,9%. Todo o incentivo dado pelo governo russo para passar de uma economia centralizada para a de mercado, cujo sustentáculo é o sistema bancário e o pleno emprego, não foi capaz de impedir esse terremoto financeiro, que na verdade é apenas mais um dos muitos abalos registrados quase que diariamente na economia mundial. No ano de 1996, a Rússia sofreu uma redução de 6% no PIB, metade no primeiro trimestre. Foi o sexto ano consecutivo de erosão econômica, com a única diferença de que se havia previsto um crescimento para o país no período...
 

Argentina

A Argentina tem vivido desde o ano de 1995 uma seqüência ininterrupta de graves problemas econômicos, sem paralelo na história do país. As demissões aumentaram 100% nos primeiros cinco meses de 95, em relação a igual período de 94. Em fins de 1994, o desemprego na Argentina estava em 12%; em outubro de 1995 beirava os 20%, e na área metropolitana de Buenos Aires um em cada quatro argentinos estava desempregado. Em dezembro de 1995, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censo chegou à espantosa constatação de que quase a metade da população economicamente ativa argentina estava trabalhando sem vínculo empregatício oficial. Uma pesquisa de junho de 1996 mostrava que 69% da população economicamente ativa estava preocupada com o desemprego, situação constatada também pelo número crescente de pessoas que participavam de programas de televisão em busca de prêmios em dinheiro. No início de 1997, cerca de 40% dos jovens argentinos com idade entre 20 e 24 anos estavam desempregados na Província de Buenos Aires. Em meados de junho de 1995, a retração nas vendas do comércio argentino já havia atingido 30% em relação ao mesmo período do ano anterior, e a produção caía 4,1% no trimestre abril-junho, depois de 55 meses ininterruptos de crescimento. O presidente Menen declarava na época: "Os argentinos estão passando pelo pior momento econômico-social desde julho de 1989." De fevereiro a junho, crescera em 200% o número de pessoas que acreditavam que o país caminhava para uma explosão social… O total de argentinos que não dispunham do necessário para atender às suas necessidades básicas já alcançava então 31,8% da população. Em julho de 1995, a Província de San Juan decidiu reduzir os salários dos funcionários públicos entre 20% e 30% e acabou sendo palco de uma gigantesca batalha campal, onde cerca de cinco mil manifestantes promoveram saques e incêndios. "Estamos com fome", diziam os servidores cobertos por lenços negros. Novas manifestações sacudiram o país nos meses seguintes. Na capital, em agosto, as autoridades manifestavam "preocupação com a situação nas Províncias, quase todas à beira da convulsão social". Ainda naquele mês, declarações do ministro da economia sobre a existência de redes de corrupção fez desabar a Bolsa de Buenos Aires e "deixou o mercado financeiro à deriva", na descrição de uma reportagem da época. Em setembro, o FMI estudava a criação de uma nova linha de crédito para apoiar as moedas russa e argentina, de forma a possibilitar ao governo dos dois países "controlar a instabilidade de suas economias".
Em outubro de 1995 a dívida pública do país atingiu US$ 90 bilhões, um crescimento de 41,5% em 22 meses. Em junho de 1997 ela atingiu US$ 100 bilhões. Durante esse período de 22 meses, o número de processos por inadimplência de pessoas físicas duplicou. Logo depois, os argentinos que estavam empregados ficaram sabendo que os seus salários haviam caído 15% em termos reais, conforme comunicado oficial do governo. Em fins de 1995, numa tentativa desesperada de aplacar os ânimos da população, o governo de Córdoba aprovou às pressas a "lei de emergência econômico-financeira", que previa a criação de bônus a serem utilizados na Província como moeda corrente. Essa intenção de fazer um dinheiro substituto, que nada mais era senão uma tentativa de contornar a Lei do Equilíbrio, evidentemente não deu certo, com a recusa dos funcionários em recebê-lo, e o governador da Província acabou renunciando duas semanas após a criação da tal lei de emergência. No que diz respeito aos bancos, em apenas dois meses, de dezembro de 94 a janeiro de 95, o desempenho deles teve uma queda de 60%. Em outubro de 1995, 25% dos bancos haviam sido fechados por conta da crise econômica. Em maio de 1996, a Argentina bateu um recorde mundial: a menor inflação registrada em 12 meses, na verdade uma deflação de 0,2%. O preço disso? O jornalista Roberto Campos responde: "Protestos sociais, empresas cambaleantes, consumo débil, receitas em queda, déficit público em alta e grande desemprego."
Naquela época, parte da população da periferia de Rosário, sufocada pela recessão, estava se alimentando de gatos, cachorros, papagaios e até cobras. As falências das empresas argentinas aumentaram 58% em 1995, comparando-se a 1994, e cresceram mais 35% em 1996, em relação a 1995. Em meados de 1997, em meio às contínuas quedas na Bolsa de Valores, reflexos da crise asiática, o Ministro da Economia ameaçava decretar a redução dos salários em 15%, caso houvesse corrida aos bancos...
 

Venezuela

Em 1994 o maior banco da Venezuela em número de correntistas quebrou, em meio a um mar de falcatruas e operações duvidosas, arrastando consigo outras oito instituições financeiras. O acontecimento desencadeou a maior corrida bancária de que já se teve notícia na América Latina. Em apenas quinze dias houve saques da ordem de 5% do PIB, e 10% da população ficou sem dinheiro. O governo colocou o exército nas ruas e emitiu 6 bilhões de dólares para estatizar o sistema financeiro. Em junho de 1995 uma manchete de jornal anunciava: "Venezuela atrasa dívida e assusta mercado." A matéria dizia que o não pagamento de uma parcela da dívida externa havia provocado "um início de tumulto nos mercados internacionais". O governo reagiu com o anúncio da criação do "Fundo de Estabilização Fiscal", destinado ao pagamento das obrigações da dívida externa. Comentaristas internacionais estimavam, porém, que a Venezuela teria de destinar 40% do seu orçamento de 1996 para pagamento da dívida. Em outubro o país tinha disponível apenas US$ 367,6 milhões para fazer frente a uma dívida de US$ 3,594 bilhões. Ainda no mês de junho, o governo propunha aos sindicatos de trabalhadores e empresas a criação de um pacto social, para que o país conseguisse superar a crise da escalada de preços e retomar o crescimento econômico. O governo prometia também reduzir o déficit fiscal para "níveis suportáveis", já que este alcançara a marca de 9% do PIB. Em setembro foi divulgado o modo como essa redução do déficit seria obtida: com um aumento de 100% nos preços dos combustíveis. Um grande temor perpassou todo o país, pois ninguém ainda havia esquecido os sangrentos tumultos de 1989, os piores em 30 anos, ocasionados por uma majoração geral das tarifas públicas e que tinham causado a morte de 400 pessoas. Na época, fora decretado o estado de sítio no país. A economia venezuelana é hoje tão frágil, que bastou as autoridades monetárias admitirem em outubro de 1995 a impossibilidade de saldar um compromisso de 2 bilhões de dólares, previsto para fins de daquele ano, para que a moeda nacional, o bolívar, fosse desvalorizado em 64,7% , depreciação maior até do que a ocorrida no México. Em agosto de 95 o governo procedeu a uma intervenção em mais um banco considerado insolvente; já era o 19° a ter de submeter-se à "Junta de Emergência Financeira", órgão que administra o sistema financeiro venezuelano.
Uma inédita tentativa do governo venezuelano de conseguir um empréstimo do FMI foi retratada desta forma por um jornal, em setembro de 1995: "Esta é a primeira vez que o governo do presidente Rafael Caldera pede socorro ao FMI, em seu 20 meses de gestão, depois de ter descartado essa hipótese em diversas oportunidades. Segundo o Banco Central, apesar das restrições cambiais, as reservas do país chegaram ao limite mínimo. (…) Fontes [do FMI] anteciparam que o acordo deverá prever também iniciativas para fortalecer o sistema financeiro do país que se encontra à beira do colapso." Em novembro de 1995 os membros da Junta de Administração Cambial renunciaram, alegando que não havia mais divisas. Em dezembro de 1995 os venezuelanos se cumprimentavam desejando "um feliz 1997", querendo dizer com isso que preferiam não ter de passar pelo ano de 1996, o qual prometia trazer uma queda do poder aquisitivo da população como nunca ocorrera em nenhum outro período da história. Uma retrospectiva sucinta do ano de 1996 mostra que esse receio tinha mesmo fundamento: Em fevereiro, o Centro de Documentação e Análise para Trabalhadores divulgou um estudo informando que a pobreza já atingia 83 de cada 100 venezuelanos… Em março, um quinto dos trabalhadores do país estavam desempregados, e mais de 60% da população estava vivendo abaixo do limiar de pobreza. Ainda em março, o presidente da Confederação das Indústrias alertava que a economia venezuelana estava à beira de uma hiperinflação; em julho a inflação anualizada chegou a 108%, a primeira com três dígitos em toda a história econômica do país e a maior de toda a América Latina. De 1994 a1996, o salário dos trabalhadores venezuelanos do setor privado teve uma queda real de 57%. Um artigo de jornal apresentava o paradoxo: "País que já foi um oásis de prosperidade econômica e estabilidade democrática
na região, a Venezuela é hoje o exemplo mais notável do fracasso econômico latino-americano. (…)
Como conseqüência do repentino empobrecimento, trabalhadores e estudantes têm entrado em choque com as forças de segurança." Não foi portanto nenhum acaso o fato de a bolsa de valores venezuelana ter apresentado a segunda maior valorização em todo mundo, com índice de 131,9%, perdendo apenas para a bolsa de Moscou. Quanto maior o caos econômico e o risco financeiro de um país, tanto mais atraentes precisam ser as taxas de remuneração do capital estrangeiro especulativo. Em maio de 1997, um estudo do instituto Data Análisis indicava que pela primeira vez na história o consumo de alimentos caíra em 5,59% , no primeiro trimestre daquele ano.
 

Brasil

De 1965 a 1994, a inflação acumulada no Brasil foi de 1,142 quatrilhão por cento. Uma inflação de 16 dígitos, convenientemente amortecida pela indexação geral de preços e salários, cujo efeito último foi prover o país com a maior concentração de renda do planeta. Em meados de 1994 foi implantado um plano econômico semelhante ao da Argentina, o qual conseguiu reduzir a inflação de 40% ao mês para cerca de 25% ao ano em 1995, 10% em 1996, e algo em torno de 4% em 1997. Um estrondoso sucesso, sem dúvida, porém apresentando alguns efeitos colaterais... No espaço de um ano após a vigência do plano, os pedidos de falência cresceram 236,4% e os de concordata 350%. Os juros, nas palavras do próprio governo, ficaram nas alturas: 33% em 1995. A dívida pública interna passou de 59,5 bilhões de reais em julho de 1994 ( mês do início do plano) para 316,7 bilhões de reais em abril de 1998, valor correspondente a 35,3% do PIB, uma situação absolutamente inédita na história do país. Enquanto o PIB crescia 15% entre 1993 e 1995, o emprego formal registrava um aumento de apenas 2%, uma das mais baixas relações produto-emprego do pós-guerra. Uma pesquisa realizada em janeiro de 1996 indicava que a população considerava o desemprego como o problema mais grave do país... De fato, em maio daquele ano o índice de desemprego atingia 15,9% da população economicamente ativa da grande São Paulo, um recorde histórico. O número de ações de despejo por falta de pagamento de aluguel, um indicador bastante preciso das dificuldades financeiras da população, crescera 49,5% no ano de 1996 em relação a 1995. Em janeiro de 1998, o índice de desemprego no país era de 7,25%, o dobro do índice de 1990 e o maior desde 1984. Algumas grandes instituições financeiras quebraram desde a implantação do plano econômico. Em agosto de 1995, a primeira intervenção federal num grande banco e a conseqüente indisponibilidade de parte dos recursos dos correntistas abalou o sistema financeiro do país, com saques maciços em instituições tidas como pouco confiáveis. Um jornal da época retratava assim a situação: "A intervenção desencadeou uma verdadeira paranóia entre os milhares de correntistas de todo o país. O medo de perder o dinheiro da noite para o dia tirou o sono de muita gente". Em dezembro de 1996, o governo já tinha gasto 24,4 bilhões de reais num programa de socorro a bancos privados, estaduais e federais. Em junho de 1997, o déficit em transações correntes (operações de comércio e serviços do Brasil com o exterior) chegou a US$ 12 bilhões, o dobro do valor contabilizado no mesmo período em 1996. Em outubro, a moeda nacional, o real, foi alvo de um ataque especulativo, efeito também dos problemas na Ásia. Para defender a moeda, o Banco Central do Brasil teve de vender US$ 8 bilhões e leiloar outros US$ 800 milhões, enquanto elevava a taxa de juros para 43,4% ao ano.
 

Estados Unidos

Em 13 de fevereiro de 1997, o principal índice de ações da Bolsa de Valores de Nova York, o Dow Jones, quebrou um recorde histórico de alta, fechando em 7022,82 pontos. O chefe do Departamento de Investimento do Mellon Bank, Vernon Winters, declarou o seguinte na época: "É impressionante o atual ritmo de ganhos no mercado americano. (...) As empresas continuam anunciando lucros recordistas e os rendimentos de seus papéis enriquecendo os acionistas. (...) A história escreverá que o período atual é o melhor desde o pós-guerra." No dia 5 de maio daquele ano, o índice Down Jones voltava a quebrar seu próprio recorde, atingindo a marca de 7.200 pontos. Um eufórico operador da Bolsa exclamou: "O desempenho do índice em cinco pregões consecutivos tem sido algo inédito no mercado de ações. Somados, os pontos de valorização superam os 400, o que significa uma expansão da ordem de 6% em apenas uma semana!" Em junho o índice Down Jones atingiu 7.300 pontos. O economista Allen Sinai, conhecido por suas previsões pouco otimistas declarou: "A maioria dos americanos acha que já está bom e vai ficar melhor ainda." Uma reportagem da época dizia: "Este é o melhor momento econômico dos Estados Unidos e muito provavelmente de toda a história do capitalismo." Uma matéria publicada no caderno de economia do jornal O Estado de S. Paulo de 20.6.97 trazia a seguinte manchete: "Bolsa de Nova York desafia leis econômicas." Abaixo, alguns trechos: "Desempenho das ações nos Estados Unidos supera resultados financeiros das empresas." "Teóricos apostam numa nova era. (...) Convicção no êxito econômico move capital. (...) Especialistas acreditam que o mercado de ações dos EUA já não está sujeito a muitos riscos." " 'A economia chegou a um ponto em que paramos de especular sobre o que pode sair errado e começamos a perguntar como pode ir melhor', diz Thomas M. O'Neill, diretor de investimento da Fleet Financial Advisors."
Agora, comparemos as declarações eufóricas acima, do primeiro semestre de 1997, com as notícias do mês de agosto em diante: 16.8.97: "Bolsa de Nova York tem a maior queda desde o crash de 87. (...)
Nervosismo tomou conta dos operadores no pregão de Wall Street." 19.8.97: "Efeito Wall Street derruba mercado global. (...) As ações desabaram ontem em todo o mundo, sob o impacto da dramática queda em Wall Street na sexta-feira." 20.10.97: "Porta-voz de Clinton pediu calma, e disse que é preciso neste momento 'ser razoáveis'. (...) Entre os especialistas, o desabamento da Bolsa instalou a confusão."
28.10.97: "Queda recorde em Nova York abala Bolsas (...) O clima de crash, comparável ao de outubro de 1987, foi revivido no centro financeiro do Ocidente, que terminou seu pregão de maneira inédita: simplesmente foi suspenso, depois que o Índice Dow Jones apontava recorde de baixa de 554,26 pontos."
 
 

Tailândia

A crise asiática começou com a Tailândia. Abaixo, o desenrolar da crise em ordem cronológica, através do noticiário e, na seqüência, dos outros países atingidos:
3.7.97: "A crise econômica atingiu ontem pela primeira vez um tigre asiático. A Tailândia, país que mais cresceu nos últimos dez anos - média anual de 8,4% entre 1990 e 1995 - anunciou o fim do seu sistema cambial. (...) O bath desvalorizou-se 18% em instantes."
4.7.97: "A Tailândia reunia condições que permitiam prever para ela um futuro brilhante. Em 1989, classificou-se entre as campeãs de desenvolvimento, quando o PIB cresceu 12,2%.
9.7.97: "Na semana passada, este país de 60 milhões de habitantes que fica ao sul da China entrou inesperadamente para o mapa dos desastres econômicos. (...) Dos 91 bancos tailandeses, mais da metade está quebrada. (...) De um momento para outro, o mundo financeiro, estarrecido, ficou sem saber se aquilo que acontecia na Tailândia era o prenúncio de um estouro trágico como o que aconteceu com o México.
18.7.97: "A Tailândia perdeu US$ 10 bilhões de reservas cambiais em um dia de ataque e se rendeu."
23.7.97. "Os maiores bancos e financeiras da Tailândia chegaram a registrar queda de até 93% nos lucros do primeiro semestre de 1997."
7.8.97: "O Ministro das Finanças fez ontem novo pronunciamento à nação para tentar reverter uma corrida aos bancos, iniciada na manhã de ontem."
12.8.97: "O pacote, definido como 'solidário' poderá chegar a US$ 20 bilhões em poucos dias; é o maior já concedido desde a crise mexicana de 1994. (...) Alguns economistas estão prevendo cerca de 100 mil demissões até o final do ano.
28.8.97: "Metade das reservas internacionais tailandesas corre o risco de ser engolida na crise cambial."
21.10.97: "O Ministro das Finanças pede demissão [sétimo ministro em 25 meses], e incerteza provoca nova queda nos mercados da ações e câmbio."
9.12.97. "O governo da Tailândia anunciou o fechamento de 56 dos 91 bancos existentes no país." Coréia do Sul
23.7.97: "Bancos sul-coreanos estão à beira do colapso."
25.7.97: "Para impedir uma onda de quebras no sistema bancário do país, o governo sul-coreano anunciou ontem que injetará 1,5 trilhão de wons por meio de uma linha especial de crédito. (...) Este é o primeiro socorro a bancos sul-coreanos nos últimos 15 anos."
8.11.97: "Coréia submerge sob ataque especulativo; asiáticos recuam."
21.11.97: "Coréia pode pedir socorro de US$ 100 bilhões."
22.11.97: "O próprio Banco Mundial, que normalmente só empresta a países com renda per capita inferior a US$ 7 mil - o que não é absolutamente o caso coreano - informou que está pronto a abrir uma exceção neste caso. (...) O socorro à 11ª maior economia do mundo poderá ser o maior pacote de ajuda financeira após a Segunda Guerra Mundial."
4.12.97: "Desde o início do ano, 7 dos 40 conglomerados do país quebraram ou admitiram estar inadimplentes.
10.12.97: "Na semana passada, de chapéu na mão, o governo coreano engoliu o orgulho, aposentou seu até então admirado modelo de crescimento e submeteu-se ao tratamento de choque dos países em dificuldades financeiras - um empréstimo liderado pelo FMI de 57 bilhões de dólares (e subindo com a inclusão de mais países ricos), o maior tapa-buraco já concedido pelo xerife das nações concordatárias. Com quantia equivalente, em dinheiro de hoje, o Plano Marshall colocou em pé a economia da Europa Ocidental arruinada pela Segunda Guerra."
17.12.97: "A Coréia, 11ª economia do mundo, está quebrada. O país precisa pagar 100 bilhões de dólares em dívidas externas de curto prazo, mas só tem 6 bilhões em caixa."
7.2.98: "Estima-se que quase um milhão de trabalhadores serão demitidos antes do final do ano devido à crise na Coréia."
27.3.98: "Cerca de 10 mil coreanos estão perdendo seus empregos diariamente." Indonésia 22.7.97: "Rúpia indonésia é a nova vítima dos especuladores."
15.8.97: "A taxa de juros interbancários tailandesa saltou para 36% ao ano, deixando atônitos empresas e pessoas físicas na Indonésia, que viram seus débitos praticamente dobrar de valor do dia para a noite."
14.10.97: "Moeda da Indonésia já caiu 58% desde janeiro. (...) Economia do país enfrenta a pior crise desde os anos 80."
15.11.97: "Desconfiança provoca corrida a bancos na Indonésia. (...) Correntistas e investidores em pânico amontoaram-se nos caixas das agências para sacar seus recursos."
3.12.97: "Cerca de um milhão de trabalhadores perderam seus empregos este ano na Indonésia por causa da crise econômica, informou ontem o presidente-geral da Câmara de Comércio e Indústria do país, Aburizal Bakric."
9.1.98: "Crash traz amaça de desestabilização à Indonésia. (...) Moeda nacional perde 26% do valor e Bolsa de Jacarta recua 11,9% em um dia. (...) Segundo relatos da imprensa local, populares disputavam pacotes de açúcar ou latas de leite em pó que, rapidamente, escassearam nas prateleiras e só eram encontradas, com preços várias vezes superiores, num mercado negro que começa a florescer nas ruas centrais da populosa capital indonésia. (...) 'Claro que estou aterrorizado', disse um funcionário público que buscava formar estoques para 'os tempos difíceis à frente'."
19.2.98: "Cerca de 13,4 milhões de indonésios estão desempregados, divulgou ontem a Federação dos Trabalhadores Indonésios, o maior sindicato do país."
25.2.98: "O valor da moeda nacional, a rúpia, desabou 80% nos últimos meses. O desemprego aumentou, a população em pânico fez estoques de alimentos até esvaziar as prateleiras dos supermercados, os preços dispararam. O aumento no preço dos alimentos provocou revolta popular; saques se espalharam por duas dezenas de cidades e o Exército está nas ruas com ordem de atirar para matar." Hong Kong (China)
30.8.97: "Tempestade financeira abala Hong Kong."
2.9.97: "Os papéis de Hong Kong e Cingapura, assim como suas moedas, vêm sofrendo forte pressão, inimaginável no início da crise."
24.10.97: "Crash da Bolsa de Hong Kong espalha pânico em todos os mercados do mundo. (...) Os juros subiram 300% da noite para o dia na ex-colônia britânica, e a Bolsa de Valores local levou o maior tombo da sua história: -10,41%"
 

Filipinas

12.7.97: "Crise cambial filipina espalha-se pela Ásia. (...) Peso filipino cede às pressões e perde 11% do valor; especulação atinge Indonésia e Malásia."
 

Cingapura

16.7.97: "A solidez dos pilares que sustentam a economia de Cingapura não é suficiente para atrair investimentos externos e o país assiste, impotente, a fuga dos capitais voláteis, que estão abandonando a região como um todo."
 

China

18.1.98: "A expectativa de desvalorização do yuan, a moeda chinesa, derrubou ontem os principais mercados acionários da Ásia." 9.1.98: "Crise asiática limita expansão do mercado chinês. (...) Autoridades do país divulgaram ontem dados que indicam claramente a desaceleração da economia; pelo segundo mês consecutivo houve um crescimento negativo."
 

Estônia. Letônia e Lituânia

25.10.97: "Países bálticos sentem impacto de crash na Estônia. (...) 'O cenário estoniano é muito parecido com o da Tailândia', afirmou um operador da Bolsa de Riga, a capital letã. (...) Os mercados de ações das repúblicas bálticas entraram na rota dos especuladores internacionais quando as Bolsas da Letônia e da Lituânia submergiram sob o impacto do crash na Bolsa da Estônia."
 

Chile

28.11.97: "Crise asiática atinge o peso chileno. (...) Desde o fim de outubro, cotação da divisa local já desvalorizou 5% em relação ao dólar. (...) Segundo fontes do mercado, a intranqüilidade se deve à perspectiva de uma forte queda nas exportações chilenas para o mercado asiático."
 

Grécia

01.11.97: "Moeda grega é nova 'bola da vez'. (...) O Banco Central da Grécia foi obrigado ontem a agir energicamente para proteger a moeda nacional, o dracma, dos ataques especulativos desencadeados por grandes investidores no mercado de câmbio. (...) O presidente do BC elevou a principal taxa de juros overnight de 10,9% para 150%.
 

Polônia

16.7.97: "As turbulências no mercado asiático continuam afetando países emergentes do Leste Europeu. A divisa da Polônia. o zloty, apresentou ontem a maior queda de sua história em um só dia: 3,01%." Os pequenos exemplos das dificuldades monetárias condensadas neste tópico sobre economia, fornecem uma visão mais abrangente da real situação mundial. A economia está em ebulição em todos os países da Terra. E como tudo o mais que foi direcionado erradamente pela mão do ser humano, também o atualsistema econômico mundial tem de mostrar agora todas as suas falhas, cada vez com maior freqüência e intensidade, até que também nesse setor da vida humana tudo tenha-se tornado novo, pelo exaurir do que é velho e falso.