A fragmentação da ex-Yugoslávia e a criação do "ódio étnico"

Orlando Albani de Carvalho*
(*) Licenciando em Geografia/UFRGS/IG

Introdução
Até o inicio da década de 1990, a então República Federativa Socialista da Yugoslávia, era constituída por seis repúblicas (Sérvia, Croácia, Eslovênia, Montenegro, Macedônia e Bósnia-Herzegovina) e duas províncias autônomas (Kosovo e Vojvodina).  Em julho de 1991 inicia-se o desmantelamento da federação através da Eslovênia, que declara-se independente, sendo seguida pela Croácia. Em janeiro de 1992, Eslovênia e Croácia teriam suas autonomias reconhecidas pela União Européia. O mapa do sudeste europeu estava novamente mudado.
Deste modo, procuraremos demonstrar que a causa étnica, apesar de presente, não se configura como única determinante do processo, como muitas vezes os meios de comunicação de massa procuram fazer crer. Assim, como hipótese que tangência o processo, consideraremos a "construção" (histórica e política) do "ódio etnico" como estopim para o rompimento entre as repúblicas. Em outras palavras: sugerimos que o "ódio étnico", foi uma "criação" com o objetivo de subdividir aquele espaço.
  Argumentaremos, ainda, a existência de razões políticas e econômicas como fatores também (senão mais) aceitáveis para a dissolução da Yugoslávia e  consideraremos neste aspecto em particular, o papel do FMI – Fundo Monetário Internacional -  no agravamento das condições econômicas daquela federação à época de sua fragmentação.

A respeito da etnicidade
Ao nos referirmos à sérvios, croatas ou bósnios, estamos falando, em concordância com SOARES (1999) e JOVANOVIC (1990), em uma mesma etnia, a etnia eslava. Sob este ponto de vista, as diferenciações , ocorrem em função de distintas influências culturais, políticas e religiosas em cada grupo. Neste aspecto em especial, das identidades que se verificam, deve-se observar que uma característica que se pode associar à Europa do Sudeste é justamente a mistura, conforme coloca HOBSBAWM (1990). Os casamentos inter-étnicos são comuns, bem como os deslocamentos e migrações naquele espaço. Um mapa que propusesse uma compartimentação de cada etnia, de forma absoluta em um dado espaço ou território, somente pode ser uma simplificação ou homogenização que talvez pouco reflita a realidade local, apesar de, concordamos, ser uma prática em certos momentos necessária. Desta forma, um mapa, como o que apresentamos a seguir (ao final deste capítulo), requer um certo "cuidado" em sua análise, para que não sejamos levados a fazer uma leitura demasiado totalizante da condição yugosláva.
 A questão aqui, é ir além da definição de etnia como um campo de diferença racial, cultural e de separação social e lingüística em uma "fronteira fechada", ou seja, de algum modo compartimentada.  Este tipo de definição pode nos levar a pensar em um grupo étnico como uma "ilha"  de cultura, o que não é desejável. Este fato pressuporia o desenvolvimento cultural de cada grupo em um quadro de isolamento , o que consideramos que não acontece. Sem dúvida, a identidade étnica é função de sua cultura. Porém este é um aspecto que se faz de forma dinâmica e que ocorre através dos contatos culturais, onde se desenvolve a identidade de cada grupo.
O caso que trataremos aqui, no entanto, não é o da etnicidade em si, mas o uso estratégico do qual este aspecto foi objeto na Yugoslávia. Ao mesmo tempo que a etnia pressupõe uma identidade cultural (do grupo), ela também admite, em si, uma condição correlata de ‘diferença’ em relação a outra etnia reconhecida. Neste sentido, a etnicidade é um fator de comunhão e organização social, onde organiza-se o "Nós" e o "Eles", o "Eu" e o "Outro". E é justamente este o fator que foi articulado para formar nichos e "produzir" a desagregação através da "criação" do chamado "ódio étnico", com o objetivo da apropriação, por parte de grupos hegemônicos internos e externos, da riqueza mineral e das capacidades instaladas e potenciais da indústria da ex-Yugoslávia.
 
 

Os eslavos do sul
Conforme JOVANOVIC (1990), a presença de tribos eslavas na região data do século IV e V d.C, "passando a ocupar extensas faixas territoriais que se estendiam das estepes ucranianas ao Mar Báltico, dos cursos dos rios Oder e Elba aos mares Egeu e Adriático". Este autor, contudo, ainda admite, referindo-se a um estudioso soviético , o lingüísta  Trubatchóv, a presença eslava nos Balcãs e na Europa Central à mais de 2000 anos, opinião que se referencia em estudos toponímicos, etnonímicos e lingüísticos sobre a região.
De todo modo, SOARES (1999) conta que, no século VII, eslavos estabeleceram-se na Península Balcânica.   Eslavos procedentes da atual Ucrânia, estabeleceram-se na região próxima ao mar Adriático, recebendo a denominação de Croácia.  Outros foram mais para leste, configurando a Sérvia e "eram conhecidos como eslavos da Lusácia", região oriental do que seria a Alemanha, perto da República Tcheca.
Mesmo assim, oriundos de diferentes áreas, JOVANOVIC (1990), considera que as populações que ali se estabeleceram  "mantinham (e mantém) indiscutíveis afinidades étnicas, culturais, sociais e lingüísticas". A influências em função de guerras, invasões e dominações que os povos eslavos sofreram em seus territórios ao longo do tempo, acabaram por promover as diferenciações que se agudizariam até século XX. "Os eslovacos da Croácia, e também os que vieram a formar a Eslovênia, sofreram influências ocidentais. Tornaram-se católicos, adotaram o alfabeto latino e foram governados pelo Império Áustro-Húngaro. ...Os sérvios... acabaram sofrendo a influência do Oriente. Tornaram-se cristãos ortodoxos, adotaram o alfabeto cirílico" (SOARES, 1999). A Sérvia chegou a configurar-se em um Império, caiu sob o domínio do Império Bizantino entre 875 e 1180, mas libertou-se e teve o seu ápice no século XIV, quando conquistou a Bulgária, quase toda a Macedônia e a Albânia.
Os eslavos da Bósnia-Herzegovina, por sua vez, adotaram durante a Idade Média, de acordo com SOARES(1999), "uma espécie de zoroastrismo" (religião de origem pérsica que admite a presença de dois deuses, o Bem e o Mal), o que transformava-os, tanto para os croatas-católicos, como para os sérvios-cristão ortodoxos, em heréticos, sendo então perseguidos. Os bósnios-herzegovinios, no entanto, a partir do século XV, adotam o islâmismo, por influência dos turcos-otomanos , que os dominam, assim como aos sérvios.
Avançando mais no tempo, o ano de 1815, apresenta a região da seguinte forma: Montenegro é um principado independente (seu espaço territorial no entanto era bem menor que o atual); Eslovênia e Croácia estão sob domínio do Império Áustro-Húngaro; Bósnia-Herzegovina, Sérvia e Macedônia, pertencem ao Império Otomano.
Em 1878, com o apoio da Rússia, a Sérvia engendra a sua independência e a tem reconhecida no Congresso de Berlim. Sua autonomia, no interior do Império Otomano já havia sido reconhecida em 1829, no final da guerra russo-turca. Este congresso, vale notar, também serviu como "negociação" entre as grandes potências européias ocidentais e a Rússia, visando através da "troca de territórios", restringir o domínio russo no sudeste europeu. Todavia o Império Áustro-Húngaro expande-se para leste e domina a Bósnia.

A Guerra dos Balcãs e a I guerra Mundial
Em 1912-1913 (Guerra dos Balcãs), Sérvia, Montenegro, Grécia e Bulgária unem-se contra a Turquia, objetivando a expulsão dos turcos otomanos da região através do domínio da Macedônia, o qual caberia, em quase toda a sua extensão, à Sérvia. No âmbito desta guerra a Sérvia também pretendia anexar, segundo BURNS(1993) , a Albânia. A Áustria no entanto intervêm e consegue o reconhecimento da independência da Albânia, impedindo o expansionismo sérvio.
Neste momento desenvolvia-se na região um movimento que SOARES(1999) chama de "pan-eslavismo". Este movimento visava, no entanto, a formação da "Grande Sérvia" (portanto o mais correto seria falar nas pretensões hegemônicas da Sérvia na região dos Balcãs), fato que não era visto "com bons olhos" pelas potências ditas ocidentais, dadas as importantes reservas minerais  existentes ali e que poderiam alavancar o crescimento industrial da Sérvia de maneira significativa.
O final da Primeira Guerra Mundial e o desmembramento do Império Áustro-Húngaro resultaram na unificação dos territórios da Croácia, Eslovênia e Bósnia-Herzegovina com os da Sérvia e Montenegro, formando o REINO DA SÉRVIA, CROÁCIA E ESLOVÊNIA, sob um regime monárquico-constitucional.  É importante salientar aqui, que de acordo com SOARES(1999), os muçulmanos-bósnios não foram reconhecidos como grupo distinto.
Em 1929, o Reino vivia em uma monarquia-parlamentar. Croatas e eslovenos criticavam duramente a Constituição de 1921, que consideravam centralizadora e mais favorável aos sérvios. Alexandre I, da dinastia Karadjordjevic (que assumira o trono após a morte do pai, de origem sérvia, em 1921), "resolve" a situação através de um golpe de Estado: suspende a Constituição e implanta uma ditadura. No mesmo ano muda o nome do Reino para Yugoslávia (que significa ‘eslavos do sul ’ ).  Em seguida promove uma reforma administrativa e divide a Yugoslávia em nove províncias (Drave, Save, Vrbas, Danube, Drina, Littoral, Zeta, Morava, Vardar ). Em 1931 uma nova Constituição é promulgada.
A oposição política croata, no entanto, era pouco tolerada.  Diversos lideres croatas foram presos e condenados. Fatos como este, coloca SOARES (1999) "incentivou o radicalismo" da oposição, com os croatas passando a professar o separatismo e adotando métodos terroristas, executados pelos Ustacha . Os integrantes da Ustacha  acabariam em outubro de 1934, em Marselha, assassinando o rei Alexandre I e o Ministro do Exterior francês.

A II Guerra Mundial e a formação da República Federativa Socialista da Yugoslávia
No contexto da Segunda Guerra Mundial, em 5 de abril de 1941, a Yugoslávia assina um pacto de amizade com a URSS. No dia 6 de abril é invadida pela Alemanha. A seguir também a Hungria, Bulgária e Itália ocupam o país.  A Croácia através da aproximação dos nacionalistas-radicais (ustachis) com os nazistas, permanece relativamente independente, tendo seu comando entregue ao general Pavelic.  A Itália anexa parte da Eslovênia, assim como a Alemanha. A Hungria anexa parte da Vojvodina. A Bulgária domina  a maior parte da Macedônia.  Sérvia e Montenegro ficam sob o comando do general Nedic, preposto da Alemanha para a região.
No entanto o palco da II Guerra foi para o espaço yugoslávo (dos eslavos do sul) também lugar de uma guerra civil.  "A guerra civil tripartite era representada pelos chetniks, monarquista sérvios; pelos partisans, comunistas de Tito (Josip Broz); e pelos ustachis, nacionalistas croatas simpatizantes do nazismo.  Com a invasão alemã e o estabelecimento de um Estado fascista na Croácia, muitos croatas se aproveitaram da situação para massacrar os sérvios, numa brutal represália ao período em que estiveram sob o rei sérvio, sob o comando militar sérvio e tendo Belgrado como capital." (SOARES, 1999)
Apesar de SOARES ao referir-se à disputa "tripartite" da Segunda Guerra, como algo entre sérvios e croatas mais o comunista Tito, o que vemos não nós parece "étnico" e sim político: Monarquistas x Nazistas(?) x Comunistas. Ou seja, uma disputa por Poder.  Esta cena, no entanto, é um excelente "produto", para décadas depois, ser "re-lembrada" como uma disputa "puramente" étnica, servindo aos interesses hegemônicos na região.
Nesta situação revela-se a figura de Josip Bros, o Tito. Considerado por BRENER(1990) como "o grande arquiteto do modelo de socialismo independente da URSS", foi ele que pôs-se a frente da resistência às ocupações no período da II Guerra Mundial. À frente ao Partido Comunista Yugoslávo desde  1937, no final de 1941 Tito contava com uma força de 80 mil combatentes (a I Brigada Proletária).  Em 1943 já contaria com 450 mil, o Exército de Libertação da Yugoslávia.  Em 1945 o exército yugoslávo já contava com 800 mil homens e em agosto deste ano consegue expulsar definitivamente os invasores. Todavia, apesar do apoio que recebeu neste período da URSS, Tito contrariou os interesses de Stálin ao não alinhar-se junto com as forças da antiga monarquia. A posição do União Soviética, ou mais precisamente, de Stálin, visava respeitar o acordo de Ialta, ocorrido na Criméia em fevereiro de 1945. Segundo BRENER(1990), "A política independente dos comunistas yugoslávos estremeceu o plano dos soviéticos que, respeitando os acordos de Ialta e Potsdam, pretendiam entregar a Yugoslávia ao Ocidente." Isto significava que Tito "deveria" unir-se aos monarquistas sérvios, que, no poder, entrariam na esfera de influência direta dos EUA. Porém no dia 29 de novembro de 1945 é proclamada a REPÚBLICA FEDERATIVA SOCIALISTA DA YUGOSLÁVIA, formada por seis repúblicas e duas províncias autônomas, organização que manteria até o inicio da década de 90. O mesmo autor salienta que Tito rapidamente estatizou as grandes empresas e realizou a reforma agrária , "despachando os latifundiários, a maior base de apoio da monarquia". Moscou e Belgrado cindiam-se definitivamente. Ao mesmo tempo, Josip Broz, em todo o período que dirigiu a Yugoslávia, colocou-se contra as pretensões sempre hegemônicas dos sérvios-monarquistas .
Assim, sob um regime de partido único (comunista e não-alinhado à URSS), - aspecto onde a ditadura de Tito não abria espaços para questionamentos – "costuraram-se" os povos eslavos do sul.  De fato, a pluralidade do país não pode ser desconsiderada: são dois alfabetos (cirílico e latino); três línguas (esloveno, macedônico e sérvo-croata); quatro religiões (católicos, protestantes, ortodoxos e muçulmanos); cinco grupos eslavos (eslovenos, montenegrinos, croatas, sérvios e macedônicos); seis repúblicas federadas (JOVANOVIC,1990).
A reforma econômica e política instituída por Tito através do modelo de autogestão, embora aumentasse, na opinião de BRENER(1990), a produtividade, não conseguiu eliminar as diferenças econômicas do país. É justamente este fator que, em nossa opinião, quando agravados, promoveriam o surgimento dos separatismos, apoiados estes na formação de um ideário nacionalista.
Sob este ponto de vista, deve-se notar que mesmo sob forte influência burocrática do partido único (o PCY), o modelo de autogestão, engendrado através de organizações de base (associações comunitárias formadas por cidadão no âmbito do bairro, povoados ou cidades), possibilitava a reunião entre os membros das comunidades e a discussão de muitos problemas, políticos e sociais, que se apresentavam. Enfim, mesmo que de uma forma de algum modo indireta, o modelo de autogestão produzia o "encontro" das pessoas.
As organizações de base "escolhiam os integrantes do Conselho Operário, o mais importante órgão de gestão, encarregado de dirigir o funcionamento e organização do trabalho associado" (SOARES, 1999). Deste modo, conforme SOARES (1999), a economia yugosláva, baseada neste sistema e no de propriedade social (a propriedade não pertencia nem ao Estado e nem ao indivíduo, mas à sociedade que a gerenciava), apresentou um importante crescimento no período de 1945 a 1980, com o PIB tendo um crescimento, em média, de 6,5% ao ano.  O setor indústrial, no mesmo período, em função dos recursos minerais do país e de um excelente parque energético, constituído por mais de 150 usinas hidrelétricas e térmicas, também apresentou um crescimento acentuado, destacando-se a industria naval, de máquinas elétricas e ferramentas, além das de material agrícola e industria automobilística.  Segundo o mesmo autor, todo este sistema possibilitou substancial melhoria na qualidade de vida no período citado.
Todavia, conforme BRENER (1990),  o crescimento da Yugoslávia se deu como um todo, não conseguindo reduzir as diferenças econômicas existentes no país. Em nosso entendimento, seriam estas diferenças que promoveriam a fragmentação da Yugoslávia ou, como justificaremos adiante, os separatismos concretizados na década de 90.
A morte de Tito em 1980, marcaria o inicio do desmoronamento da Yugoslávia conhecida. Mesmo a presidência rotativa, criada por ele pouco antes de falecer, instituída entre as seis repúblicas e as duas regiões autônomas (Kosovo  e Vojvodina), pouco significou no sentido de impedir a fragmentação.

A fragmentação da Yugoslávia
Em 1991 inicia-se de forma concreta e observável a fragmentação da Yugoslávia. Neste ano Croácia e Eslovênia declararam suas independências. A Bósnia, apesar de um plebiscito em 1992 (ano em que a Macedônia declarou a sua independência) já ter aprovado a separação, somente em 1995, após três anos de guerra, conquista a sua independência.  O tratado de "paz" (Tratado de Paz de Dayton) no entanto dividiu a Bósnia-Herzegovina em duas partes: (1) a Federação Croata-Muçulmana, que compreende aproximadamente 51% do território  bósnio e (2) a República Sérvia da Bósnia.
 

"Ofertou-se" à Bósnia (muçulmana) uma "paz" que a dividiu entre sérvios ortodoxos e croatas católicos, que, na condição atual dos relacionamentos entre as partes, torna esta condição muito complicada. Deste modo não se admira que esta "paz" precise ser controlada por uma força militar internacional (OTAN/ONU) de 60 mil homens (1995). Os interesses geo-poiticos na Bósnia certamente não são desmotivados: 85% das reservas de minério de ferro e 40% das de carvão da ex-Yugoslávia encontram-se ali. Esta região também possui um importante parque industrial, principalmente nos setores de máquinas agrícolas, eletrodomésticos, eletrônicos, além de produtos para a aeronáutica, inclusive aviões.  (Ao mesmo tempo, alguns analistas consideram que a "demora" para a solução dos enfrentamentos na Bósnia, ou seja, de alguma ação concreta por parte da chamada comunidade internacional, deveu-se à não existência de petróleo nesta região, produto sempre estratégico, em qualquer situação).  Em 1992, a Sérvia, levando junto Kosovo e a Vojvodina e mais Montenegro, formaram a nova Yugoslávia. Em 1998 os movimentos separatistas no Kosovo, chegariam a seu extremo, sendo duramente reprimidos pelas forças sérvias. Em março de 1999 a OTAN (EUA) cumpre as ameaças e inicia o ataque aéreo à Yugoslávia, "poupando" Montenegro e engendrando assim, de forma sutil, um sentimento de desagregação também desta república. O objetivo seria o isolamento cada vez maior da Sérvia. No entanto mesmo com o fim dos ataques da OTAN, a região do Kosovo não chegaria a tornar-se um Estado independente.  Este fato levaria, ao que tudo indica, a anexação em breve espaço de tempo, do Kosovo à Albânia, o que não era de interesse da União Européia e EUA.

FMI, crise econômica e fragmentação
O período 1980-1990 é um período de crise econômica para a Yugoslávia, assim como para muitos outros países.
"A crise – argumenta Brener(1990) – acentuou as diferenças entre as repúblicas mais desenvolvidas do norte e as regiões mais atrasadas do sul". Deste modo as áreas mais ricas, como a Eslovênia, passam a "responsabilizar" as regiões mais pobres, como o Kosovo , pela crise, principalmente motivados pela questão dos subsídios (fundos estatais) dados a esta província. No final da década de 80 e inicio da de 90, 70% do orçamento kosovar era coberto por fundos estatais, ao passo que a Eslovênia, respondia então, por 30% do PIB yugoslávo. Mesmo aqui, pensamos que considerar as questões que envolvem a província de Kosovo -  de fato ocupada por uma maioria populacional de origem albanesa (uma "outra" etnia), que chaga a mais de 80% em algumas áreas - , são simplesmente étnicas, torna-se discutível. Julgamos que as analises devem considerar a questão da dominação/apropriação do território pelo seu valor em si.  Há uma clara tendência por parte da Albânia em apropriar-se daquele espaço, utilizando-se também da "questão da disputa étnica" como justificativa para acobertar seus verdadeiros interesses.
Esta posição reforça o julgamento que pretendemos apresentar de que a maior motivação para os movimentos separatistas dentro da Yugoslávia, mais que étnicos – como a imprensa internacional incita a pensar, por exemplo – estão em uma forte causa econômica e são disputas de poder político. O que se pretende são territórios e a "etnicidade" não passa de uma cortina de fumaça.
A opinião das razões políticas e econômicas para o separatismo, encontra apoio em CHOSSUDOVSKY(1999):
"A opinião pública do Ocidente tem sido enganada: A situação da antiga Yugoslávia é apresentada como produto de um "nacionalismo agressivo", resultado inevitável de tensões étnicas e religiosas profundamente arraigadas, que tem suas raízes na História..." e "nesse processo, as causas econômicas e sociais da guerra civil têm sido cuidadosamente ocultadas. Os interesses estratégicos da Alemanha e dos EUA não são mencionados, a arraigada crise econômica que precedeu  a guerra civil tem sido, há muito tempo, esquecida."
A solução encontrada pela Yugoslávia para sair da crise foi o Fundo Monetário Internacional – FMI. Embora este fato não possa ser considerado exatamente uma decisão, – no sentido que exista alguma forma adequada de não se deixar dominar por este órgão de regulação internacional controlado pelo G7 (ou mais apropriadamente, pelos Estados Unidos da América do Norte) – as conseqüências foram "fatais" para os eslavos do sul.
Conforme CHOSSUDOVSKY(1999) "a dissolução da Federação Yugosláva tem uma relação direta com o programa de reestruturação macroeconômica imposto ao governo de Belgrado por seus credores externos...", deste modo, "...as tendências separatistas alimentadas por divisões sociais e étnicas ganham impulso precisamente durante um período de empobrecimento brutal da população yugosláva."
Como vimos acima, foi no período 1991-1995, que eclodiram na Yugoslávia os processos definitivos de fragmentação. Pois bem. Em janeiro de 1990 é lançado um ‘pacote econômico’ através de um empréstimo do FMI/Banco Mundial . A "cartilha" do FMI previa uma série de cortes no orçamento e o redirecionamento das receitas federais visando o serviço da dívida externa.  Este fato gerou a suspensão de pagamentos de transferencias por parte de Belgrado aos governos das repúblicas e províncias autônomas. O acordo ainda exigia o corte de gastos na ordem de 5% do PIB. Previa também a liberalização das taxas de juros. Questões étnicas à parte, o resultado destas ações foi um aumento da inflação de 70% neste ano. Em 1991 a inflação foi de 140%, em 1992 foi de 937% (!) e em 1993 de 1134% (!!). O processo de "ajuste econômico" promovido pelo FMI, iniciado 10 anos antes desencadeou, conforme CHOSSUDOVSKY, uma crise orçamentária e um colapso no sistema fiscal da federação que acabou por resultar em uma "secessão de fato" mesmo antes da independização da Eslovênia e Croácia.
Finalmente, para concluir nossa ilustração sobre as questões econômicas envolvidas na crise da Yugoslávia, deve-se fazer algumas notas sobre o setor industrial deste pais.
No período pós-guerra (2ª) a indústria da Yugoslávia viveu em pleno desenvolvimento até o final dos anos 1970. A crise da década de 80 abalou também a Federação Yugosláva. Estava aberto deste modo o campo fértil para o Fundo Monetário Internacional. As ações do FMI só fizeram, no entanto, piorar a situação econômica e social do país. Em 1989 inicia-se um virtual processo de falência do setor. Assim, o crédito para o setor industrial foi congelado de modo a acelerar os processos de falência. Qual o interesse do FMI nesta questão? Era a internacionalização destas empresas e a clara inserção do país na economia capitalista de mercado.  À época de 1989, foi aprovada uma lei , a "Lei de compensação, falência e liquidação compulsórias", que destinava-se a garantir os "direitos dos credores" (internacionais). A questão aqui é o congelamento do crédito. Em um primeiro momento o FMI empresta dinheiro (capital) ao setor industrial, tornando-se credor das empresas e, em um segundo momento, congela o crédito e cobra os empréstimos.  O resultado foi o que se costuma chamar de uma "quebradeira" geral. Balizados pela dita lei de compensação, os credores podiam, no momento adequado, requerer a abertura do processo de falência, assumindo o controle ou simplesmente liquidando os bens das empresas inadimplentes. Outro mecanismo utilizado foi a Lei de Operações Financeiras: caso uma empresa ficasse insolvente durante 30 dias (não pagasse suas dívidas), havia a possibilidade dos credores requererem a transformação da dívida em ações da dita empresa, tornando-se acionistas da mesma. O resultado: muitas empresas perderam o controle acionário para capitais internacionais. Um outro ponto desta lei, era (1) o governo federal não podia intervir, através de um empréstimo por exemplo, e (2) ainda havia a possibilidade do credor requerer a decretação da falência ou liquidação da empresa. Nestes dois casos (falência ou liquidação), os trabalhadores seriam demitidos e não receberiam nenhum tipo de indenização normal pela demissão.
Deste modo, em 1989, 248 firmas foram conduzidas a falência ou liquidadas e aproximadamente 90 mil trabalhadores foram demitidos. Em 1990, outras 890 empresas faliram, atingindo 525 mil trabalhadores de forma direta. Cumpria-se assim o projeto de eliminação das empresas de propriedade coletiva e a privatização (para a mão do capital estrangeiro) do setor industrial. CHOSSUDOVSKY nos da uma idéia da dimensão do processo de desmanche da industria yugosláva: em 1990 ocorreram 600 mil demissões no setor industrial, sobre um total de 2,7 milhões de trabalhadores no setor, ou seja 22%.
Deste modo, "favorecendo os grandes interesses estratégicos, as medidas de austeridade   tinham lançado as bases para a "recolonização" dos Balcãs. Nas eleições multipartidárias de 1990, a política econômica estava no centro dos debates políticos; as coalizões separatistas venceram os comunistas na Croácia, Bósnia-Herzegovina e Eslovênia. ...A Croácia, em maio de 1990... recebeu a aprovação formal do ministro alemão das Relações Exteriores." (CHOSSUDOVSKY,1999) A rapidez com que o governo alemão admitiu a separação da Croácia, salienta em nosso entendimento, os interesses estratégicos da Alemanha na fragmentação da Yugoslávia.

Bem, mas "abandonar o navio" não significa descomprometer-se com o FMI, sendo que se poderia considerar, até mesmo, que isto piorasse a situação (se isto fosse possível), uma vez que sempre é melhor negociar, digamos, em bloco, do que em separado. De todo modo, a Yugoslávia desmantelou-se por inteiro. E a "dívida" dos novos Estados acompanhou o processo. Em 1995, pouco antes do Acordo de Paz de Dayton, o FMI definiu a redistribuição da divida da antiga Yugoslávia. Este ponto que faria parte indispensável do acordo de Dayton, definiu as fatias da dívida da ex-Yugoslávia que caberia a cada uma das partes: Sérvia e Montenegro, 36%; Croácia, 28%; Eslovênia, 16%; Bósnia-Herzegovina, 16%; Macedônia, 5%. (CHOSSUDOVSKY,1999)
Desde modo,  o que se viu foi uma prática geopolítica que visou, primeiro, o desmantelamento da Yugoslávia, objetivando a dominação deste espaço pelos organismos internacionais (FMI, Banco Mundial), capitalizados e potencializados principalmente por EUA e Alemanha, de modo a apropriar-se de maneira ao mesmo tempo direta e indireta dos recursos minerais e populacionais da extinta República Federativa Socialista da Yugoslávia, bem como captar este espaço para a esfera da economia capitalista de mercado. Não pretendemos aqui esgotar as possibilidades de explicação deste fenômeno de desintegração de um Estado Federado em suas múltiplas  repúblicas e nem minimizar de maneira exagerada a questão étnica envolvida. Apenas pretendemos argumentar uma hipótese diferenciada (ou complementar) que explique, também, tais acontecimentos.

Conclusão: a construção das disputas étnicas
A síntese de nossa idéias conclusivas, a respeito da questão da Yugoslávia, de certa maneira já foram apresentadas no parágrafo anterior.  Razões geo-politicas (EUA, Alemanha), a interferência do FMI, o desmanche do setor industrial e crises econômicas, entre outras, desencadearam, também, e sem dúvida, o processo de fragmentação da Yugoslávia. No entanto outra nota, que especificará melhor nossa opinião é necessária antes da conclusão final deste trabalho. Trata-se da questão da "construção" das disputas étnicas dentro do espaço federativo yugoslávo ou, dito de outra forma, a apresentação da hipótese da "construção" de uma causa étnica como estopim para o rompimento entre as repúblicas da condição federativa.
A hipótese da construção de uma causa étnica com o objetivo de produzir a fragmentação da Yugoslávia sugere, em síntese, que, em um momento de aguda crise econômica motivada, como discorremos, em grande parte pela atuação do FMI, os grupos hegemônicos de cada república passam a ‘procurar’ um elemento que cimentasse suas populações em torno da causa do separatismo. Colocado de outra maneira: os grupos hegemônicos, de Eslovênia e Croácia (republicas mais ricas) primeiro, e da Sérvia posteriormente, passam, ante as dificuldades econômicas a planejar, poderíamos dizer, egoisticamente, o desmembramento.
A Eslovênia, região mais industrializada, não deseja mais "puxar o trem" das repúblicas. A Sérvia, por sua vez, tem pretensões hegemônicas históricas sobre toda a Yugoslávia e, ao mesmo tempo, em dificuldades econômicas, "precisa" das capacidades produtivas (potenciais e instaladas) das outras repúblicas. Os egoísmos surgidos na crise são exponencialmente agudizados pelas práticas do FMI, que leva a Federação ao crescente desemprego e inflação.  É preciso deflagrar um sentimento de separatismo que se estenda, no entanto, à toda a população e, que "legitíme" e "explique" a fragmentação.  Quanto à Sérvia, não é tanto uma legitimidade o que se busca, mas uma justificativa para dominar ante toda a sua população.
O nacionalismo, historicamente, já serviu como aglutinador frente a crises econômicas. Agora ele seria levado ao terreno do ódio inter-étnico. Um ódio, conforme propomos, criado.
As diferenciações entre croatas, sérvios e bósnios formaram-se ao longo de séculos e são concretas, principalmente no plano religioso.  No entanto, o período pós-guerras demonstrou, pelo menos até o final da década de 70, a possibilidade do convívio.  A década de 80 marca o crescimento da crise e o (re)inicio das hostilidades. Porque (re)inicio? Por que se resolvermos nos "lembrar" da história balcânica, encontraremo-la recheada de agressões por todos (e de ambos) os lados. Não há, definitivamente, quem se escape de ter infligido terror ao outro, seja por razões religiosas ou por disputa de territórios.  Muitos dos confrontos rememorados, no entanto, datam de 10 séculos (1000 anos).
Todavia, a história também encontra muitos momentos de união visando a defesa dos mesmos territórios.  Do ponto de vista lingüístico, o sérvo-croata, é a língua materna  das populações da Croácia, Montenegro, Bósnia, Sérvia, Vojvodina e uma parcela dos habitantes de Kosovo (JOVANOVIC,1990).
Se existem razões claras para algum tipo de taxonomia étnica que os separe, é plausível também a possibilidade da coexistência.
É fato que a Segunda Guerra foi um período que marcou exageros, principalmente por parte dos ustachis-croatas e dos chetniks-sérvios, que no final tiveram que "acomodar-se sob o tapete" de Tito, mas, para estes acontecimentos, já se iam 45 anos quando a Eslovênia iniciou o racha da Yugoslávia e como já dissemos, não eram em si, propriamente étnicos, mas políticos.  Apesar do partido único (e do regime ditatorial portanto), se não fossem as crises inflacionárias e o desemprego, talvez o desenrolar da Federação Yugosláva, após a morte de Tito em 1980, tivesse sido diferente.  Josip Broz, de alguma maneira, conseguiu "unir" na Yugoslávia, os croatas, sérvios e bósnios, que se diferenciaram culturalmente ao longo do tempo, mas, enfim, eram todos eslavos. Dizemos "unir" porque é preciso considerar que eles nunca estiveram unidos antes na forma de um Estado de configuração federativa, ou seja, com o tipo de prerrogativas inerentes a uma organização espacial e política assim.
Nossa proposição, então, é que o ódio étnico que se agudizou nos últimos momentos da REPÚBLICA FEDERATIVA SOCIALISTA DA YUGOSLÁVIA, é uma construção, ou seja, ele foi uma criação.  Para esta afirmativa, nos referenciamos em duas fontes.
Para RENATO ORTIZ, discutindo a questão das identidades nacionais, "...seria ilusório imaginarmos a memória nacional como o espaço ontológico de uma identidade unívoca.   Ela é, na verdade, uma construção cultural e ideológica, uma seleção, um ordenamento de determinadas lembranças.   Renan acredita que os eventos mais dolorosos da história de um povo deveriam ser esquecidos; caso contrário, sua crueza alimentaria a fragmentação, minando os laços que soldariam os indivíduos ao todo nacional.   Toda a memória é uma leitura do passado.   Por isso, na sua elaboração, os intelectuais desempenham um papel preponderante – *argumento válido também para os movimentos étnicos e de gênero; a primeira coisa que os intelectuais negros e as feministas fazem, quando afirmam suas identidades. É reescrever o passado, isto é, constituir uma memória específica, expressão de suas lutas e de seus interesses*.   Eles atuam como mediadores simbólicos estabelecendo um elo entre o pretérito e o presente.   Tem-se, assim, a legitimação dessa ou daquela visão, desse ou daquele destino.   A memória nacional é, portanto, um terreno de disputas."
Ao mesmo tempo a nação, é vista como o "lugar" onde se acomodam as nacionalidades; é um espaço geográfico " ...no interior do qual...", para ORTIZ (1999), "se realizam as aspirações políticas e os projetos pessoais."
É através destas abordagens que passamos a considerar nossa hipótese da "construção" dos ódios étnicos como estratégia para aglutinar toda uma população em torno da validade e da necessidade do separatismo, seja étnico, seja do território e ao mesmo tempo esconder as causas econômicas.  Acreditamos ser possível pensar em identidades produzidas através da "lembrança" de fatos históricos (por vezes seculares, por vezes recentes, porém já sublimados) que, casados com uma situação econômica, política e social caótica, fez com que camadas cada vez maiores da população tornassem-se "nacionalistas", servindo aos interesses de alguns poucos, preocupados somente consigo mesmos. Exacerbam-se assim os nacionalismos e surgem os ódios étnicos. "A memória nacional é, portanto, um terreno de disputas", diz Ortiz. Disputas de poder. E de manipulação. "Como não odiar à alguém que tanto mal causou a meus antepassados?" Estas re-memorações do passado, re-constroem e manipulam, fomentando nacionalismos e disputas étnicas.  Neste panorama construcional, a Mídia tem papel fundamental.
Nossa segunda fonte, IGNACIO RAMONET, refere-se a questão da Mídia em um artigo de jornal em fevereiro de 1999. Ele escreve: "...Estas divergências favoreceram o retorno dos egoísmos nacionalistas, atiçados pela mídia. ...O vírus da televisão estendeu através de toda a Yugoslávia o ódio inter-étnico  como uma epidemia. Uma geração inteira de sérvios, bósnios e muçulmanos foi estimulada pelas imagens da televisão a detestar os seus vizinhos." ( Le Monde Diplomatique, 02 / fev. /1999 – ed.mexicana. )
Nossa conclusão é que a questão das disputas étnicas devem ser "percebidas" além do aspecto das diferenças culturais.   Encobrem-se com esta "cortina de fumaça", como já dissemos,  razões econômicas, políticas e geo-estratégicas.   Grupos hegemônicos internos e externos às nações, utilizam-se e aproveitam-se desta condição, para camuflar, ante a opinião pública internacional, seus verdadeiros interesses: a apropriação (dominação) de recursos minerais, energéticos e humanos.  Os espaços que a etnicidade busca nestas condições, na maioria das vezes, deve-se observar, não é o da cultura e sim o do território. Sendo este tanto melhor quanto maiores forem os recursos minerais e industriais localizados.  Com este tipo de interesse, penetraram no espaço yugoslávo,  o FMI, como órgão regulador de caráter oficial e inúmeras empresas estrangeiras ao pais, inserindo a Yugoslávia na esfera de influência européia e estadunidense. Deste modo, os conflitos ocorridos na ex-Yugoslávia, configuram-se, em nosso modo de entender, muito mais em uma questão geopolítica, do que propriamente étnica.  Acreditamos ser a questão das disputas étnicas, no caso yugoslávo, uma ação planejada e coordenada, com o intuito da reorganização daquele espaço, "readequando-o" às práticas capitalistas de mercado, ao processo de globalização e à dominação das grandes potências econômicas e militares mundiais, com a colaboração de grupos hegemônicos de dentro da ex-Yugoslávia e em cada uma das repúblicas.  A "etnicidade" é um palco de relações de poder, portanto, espaço de disputas. E, no caso que estudamos, as vitimas destas disputas foram todos os ‘eslavos do sul’, levados a uma guerra que nem mesmo poderiam vencer.  Mas que certamente possui ganhadores: o modo neo-liberal e os grandes bancos e corporações de empresas internacionais, além, obviamente, dos comerciantes de armamentos. E enxergar além das questões da etnicidade que nos apresentam, impregnada de hostilidade, e perceber a mão do capital internacional interessado no petróleo e em outros recursos das ex-repúblicas e províncias yugoslávas.
Concluímos, desta forma, o que esperamos ser uma colaboração para a discussão deste tema, que, como propusemos, vai além das questões étnicas, envolvendo muito mais aspectos sobre a organização do espaço mundial e suas relações de poder no plano político e econômico.  Relações que, infelizmente, ferem cada vez mais a soberania, não dos países, mas dos povos.
 

Bibliografia consultada
BARTH, Fredrik. (1998) Grupos Étnicos e suas fronteiras. In: POUTIGNAT, Philippe & STREIFF-FENART, Joselyne. Teorias da Etnicidade. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1998.
BRENER, Jayme (1990). Leste europeu: revolução democrática. – série História viva/coordenação Emir Sader. – São Paulo: Atual.
CHOSSUDOVSKY, Michel (1999). A globalização da Pobreza: impactos do FMI e do Banco Mundial. – São Paulo: Moderna.
JOVANOVIC, Aleksandar (1990). Yugoslávia, uma constelação cultural. (in: Revista da USP – Dossiê Europa Central – junho/1999). – São Paulo: EDUSP – Coordenadoria De Comunicação Social.
ORTIZ, Renato (1999). Um outro território: ensaios sobre a mundialização.- São Paulo: Olho d’Água.
SOARES, Jurandir (1999). Iugoslávia: guerra civil e desintegração. – Porto Alegre: Novo Século.
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