A experiência do Leste Europeu. As Mudanças
políticas. Comunidade Econômica Independente (CEI) X União
EuropéiaMarina Irimie (Romênia), coordenadora do Subregião
Sul do Leste Europeu da Internacional dos Serviços Públicos,
a ISP (Public Services International - PSI)Desde os tempos da ditadura
de Ceausescu, quando fazia traduções para reforçar
a renda familiar, a tradutora e intérprete Marina Irimie nunca teve
dificuldade em se comunicar, tanto em sua língua, o romeno, como
em inglês ou francês. Esta facilidade a ajuda muito no trabalho
que faz hoje como coordenadora da ISP em sete países do Leste Europeu.
Desde o fim do regime ditatorial, em 1990, Marina está na luta do
movimento sindical, organizando ainda atividades com mulheres em 19 países
do Leste Europeu Central e Oriental, enfrentando os sérios problemas
do pós-comunismo. Aos 43 anos, é casada, tem dois filhos
e mora em Bucareste, a capital romena. Neste depoimento ela fala da realidade
de seu país durante e depois do comunismo.Guardadas as devidas diferenças,
principalmente na teoria, gostaria de começar falando sobre o sentido
da palavra comunismo para nós, na Romênia. Quando falamos
em comunismo, nos referimos a experiência que tivemos durante 50
anos sob esse regime. Por isso não falamos sobre o comunismo sob
o ponto de vista teórico. Tenho certeza que nossa experiência
é totalmente diferente do conceito que as pessoas têm sobre
essa teoria.O que foi rotulado como comunismo na Romênia tem aspectos
bons e outros ruins. De bom tínhamos acesso irrestrito à
educação, num sistema muito bom, acesso irrestrito aos serviços
gratuitos de saúde, pelo menos na teoria, já que na prática
as condições eram péssimas, os hospitais eram péssimos,
havia uma escassez de tudo, de remédios até leitos. Na realidade,
tínhamos de pagar gorjetas por baixo dos panos para receber o atendimento,
o que, receio, ainda existe.Outra coisa boa eram as condições
de tratamento infantil, em todos os aspectos, de jardim de infância,
subsidiado pelas empresas. Hoje isso acabou, não existe mais, e
é um grande problema para o país. O sufrágio universal
também era uma coisa muito boa. Toda pessoa acima dos 18 anos tinha
direito ao voto Não era somente direito, era obrigação.
Se você não fosse votar eles iam te buscar em casa. Votar
significava ir à cabine e simplesmente dobrar a cédula e
depositá-la na urna. Era um só candidato, uma só pessoa.
Às vezes escrevíamos palavras pornográficas na cédula
para nos vingar.Sistema Igualitário - Também existia naquela
época um sistema igualitário entre homens e mulheres e grupos
de minorias. Havia cotas em relação à distribuição
das estruturas de liderança e para promoções. O problema
eram os critérios de promoção, exclusivamente políticos.
Você seria promovido, seja homem ou mulher, desde que fosse fiel
ao regime, a competência não tinha a menor importância.Tínhamos
ótimas condições de maternidade. As mães tinham
licença de quatro meses com pagamento completo e depois poderiam
ficar até um ano em casa com 65% dos salários. Até
a idade de três anos da criança a mãe poderia permanecer
em casa para cuidar do filho, mas sem remuneração. Isso era
estendido até os sete anos da criança e os direitos empregatícios
da mulher eram preservados.O plano de aposentadoria também era muito
bom, representando de 80% a 85% do salário. E não havia desemprego.
Todo mundo tinha de ter emprego, por isso havia excesso de mão-de-obra.
Havia casos freqüentes de três pessoas para um trabalho que
requeria apenas uma e, naturalmente, os salários eram baixos.Vocês
devem estar se perguntando: Se vocês tinham boas licenças
maternidades, boa aposentadoria, não havia desemprego, o que mais
poderiam querer? Mas todos reclamavam. Reclamavam porque viviam sob um
regime ditatorial. Vocês já devem ter ouvido falar no ditador
Ceausescu, que mandava em tudo. Ele era muito ambicioso e queria provar
ao mundo que poderia fazer qualquer coisa que o mundo capitalista fizesse.
Gastou grandes quantias em projetos estrambólicos, fantasmagóricos,
como uma indústria química para a qual importava toda a matéria-prima
a preços mais altos que o preço final do produto.Ditadura
e Medo - Um ponto muito negativo é que as pessoas viviam sob um
regime de medo, de tensão constante. Nós éramos aterrorizados
por mecanismos bastante eficientes de opressão. A polícia
secreta do regime estava infiltrada por todas as partes. A maioria das
pessoas desse serviço secreto foi recrutada em orfanatos. As histórias
sobre os órfãos da Romênia se espalharam pelo mundo
inteiro. A estratégia era retirar essas pessoas dos orfanatos, dar
dinheiro a elas, o que resultou na sua lealdade. Eles controlavam totalmente
a vida dos romenos.Se você quisesse comprar por exemplo, um apartamento,
um carro, uma tv colorida, teria de se inscrever no sindicato, que enviaria
a sua inscrição até o líder comunista, que
aprovaria ou não seu pedido. Aí você tinha de esperar,
poderia levar até 10 anos para conseguir o seu carro. Havia cotas
para combustível, de 20 litros por mês. Um sistema de rodízio
fazia com que se usasse o carro domingo sim, domingo não.O aborto
era proibido no regime Ceausescu. Não só o aborto, mas todos
os métodos contraceptivos. Se te pegassem com pílula anticoncepcional
no bolso você estaria encrencado. As mulheres tentavam de tudo, era
uma loucura. Muitas morreram. A Romênia chegou a ter a taxa mais
alta do mundo de mortalidade durante a gravidez, de 1,7 mulher para cada
1 mil bebês.É importante passar esse background para vocês
terem uma noção de que, quando criticamos o comunismo, estamos
criticando a experiência que tivemos, que foi rotulada de comunismo,
e não à noção teórica de comunismo.
Em dezembro de 1989 fomos às ruas e derrubamos o regime.Revolução
Espontânea - Depois 1989, em termos políticos, não
houve muitas melhorias. A revolução romena foi um ato espontâneo,
a população não estava preparada e não havia
uma alternativa política. O que aconteceu é que havia pessoas
morrendo nas ruas e o segundo escalão do comunismo se reestruturou
muito rápido e tomou o poder. O presidente que substituiu Ceausescu
tinha sido colega de escola de Gorbachov em Moscou. Não havia condições
para as mudanças que a população queria e a reação
contra o "comunismo" continuou, já que os novos governantes provaram
ser muito corruptos.Essas pessoas permaneceram no poder até 1996.
Em novembro do ano passado a oposição ganhou a eleição
e todo mundo ficou feliz. Mas foi uma decepção. Eles fizeram
exatamente as mesmas coisas. Trouxeram as pessoas de sua "linha" com base
nos mesmos critérios de corrupção. Essa nova força
política era uma coalizão de vários partidos, de social-democratas
até liberais. Durante a campanha, cada partido fez as suas promessas,
que eram diferentes de um para outro. Como as promessas eram antagônicas,
começaram a lutar entre si e no começo deste ano fizemos
com que o primeiro-ministro renunciasse.Organização Sindical
- Antes de 1990 os sindicatos faziam parte da estrutura do governo. Não
tinham poder de negociação, eram simplesmente mais um instrumento
de Ceausescu para controlar as pessoas. E todas as pessoas eram membros
de sindicatos. Assim que você assinava seu contrato de trabalho,
automaticamente era filiado a um sindicato. As condições
de trabalho e os salários eram decididos pelo governo, não
havia acordos coletivos, não tínhamos a noção
de negociar.Depois de 1990 foram formados 280 partidos. A população
da Romênia é de 23 milhões de habitantes. Houve uma
pulverização política e as pessoas que chegaram ao
poder gostaram dessa situação. Quanto mais numerosos e menores
os partidos era mais fácil dominá-los.A reação
inicial dos sindicatos foi de negar os partidos políticos. Alguns
colocaram em seus estatutos proibições explícitas
de envolvimento partidário de seus dirigentes. Mas esta situação
se modificou e, em 1992, os líderes dos sindicatos criaram seu próprio
partido político. Foi um grande fiasco. Não chegaram ao mínimo
de 3% necessário para fazer parte do Parlamento. Este partido se
dissolveu e nunca mais se ouviu falar dele. Mas os líderes sindicais
gostaram da idéia. Quatro anos depois temos quatro principais confederações
sindicais. Em 1996 o líder de uma dessas confederações
se tornou primeiro-ministro e o de outra confederação se
tornou vice-presidente.Economia vai Mal - Depois das mudanças a
economia romena tem se desenvolvido pior do que em outros países
do Leste Europeu, o que é, em parte, resultado da situação
política do país. Passamos por cinco governos nos últimos
cinco anos. O fato de as mesmas pessoas da antiga estrutura comunista terem
vencido as eleições de 1990 manteve os investidores longe,
que foram a países como a República Tcheca, Hungria, Polônia
e muitos poucos chegaram a Romênia. E o país precisava desesperadamente
desses investimentos, de novas tecnologias.Antes das mudanças no
Leste Europeu havia um mercado para as economias socialistas. Tudo que
era produzido era comercializado. Em alguns países do bloco soviético
havia a simples troca de produtos. Mas esse mercado desapareceu. O país
precisa de uma reestruturação. Em 1993 houve uma tentativa,
um começo. Os subsídios para bens de consumo foram cortados
e o governo introduziu o imposto sobre valor agregado. Esse foi o início
de uma reestruturação econômica que até agora
não aconteceu.As mudanças pararam nas proximidades de uma
nova eleição. O governo sabia que a reestruturação
econômica seria impopular e causaria prejuízos eleitorais,
por isso parou. Nesse meio tempo, o governo se manteve ocupado privatizando
empresas de médio e pequeno portes. Foram privatizadas cerca de
500 dessas empresas, como oficinas mecânicas, salões de beleza,
fabriquetas de têxteis e outras pequenas indústrias. A maneira
como este processo ocorre é totalmente corrupta. Essa corrupção
é uma das razões do país ter ficado estagnado.As máquinas
industriais ultrapassadas do país consomem seis vezes mais energia
que equipamentos de outros países europeus e duas ou três
vezes mais do que nos outros países do Leste Europeu. E, é
óbvio, os nossos produtos não eram competitivos. Conseqüentemente
as exportações caíram dramaticamente. Só em
1996 foram 6% a menos. A inflação de 1997 foi de 151%, o
PIB teve uma queda de 6,5%. Os investimentos no setor privado tiveram uma
queda de 7% no ano passado, o consumo geral caiu 29% e a produção
teve um declínio de 50%. Hoje a produção romena é
a metade do que era em 1990.Os investimentos nos setores "não produtivos"
atingiram níveis extremamente baixos. No ano passado o governo deu
4% do PIB para a educação, 2,7% para a saúde e 10,7%
para os serviços sociais. A taxa de mortalidade também aumentou
e cresceu tanto que superou a taxa de natalidade. O crescimento populacional
da Romênia é negativo. Doenças que tinham sido erradicadas
dezenas de anos atrás estão de volta.Situação
Social - A taxa de mortalidade infantil é a mais alta de Europa,
três vezes maior que dos outros países do Leste Europeu, 21,5
mortes para cada 1 mil nascidos. A mortalidade materna é sete vezes
mais alta que o índice do Leste da Europa. O aborto agora é
legal. Custava menos de três dólares, o que ajudou a reduzir
as mortes maternas, um dos poucos índices que caíram, mas
no final do ano passado a taxa aumentou para 12 dólares. E muita
gente não pode pagar essa quantia.O salário médio
da Romênia gira em torno de 100/110 dólares por mês.
Os preços dos bens e serviços são iguais ou superiores
aos da Europa Ocidental. Na área da saúde o salário
médio é de 60 a 70 dólares por mês. Por isso
dá pra perceber o quanto vulnerável ficam as pessoas. Os
subornos continuam valendo mais que nunca para os atendimentos, o que é
humilhante para os profissionais da saúde. Com essa situação,
o país está perdendo seus melhores profissionais. Ou abrem
seus próprios negócios e deixam a profissão da área
de saúde ou emigram para outros países.De acordo com o Banco
Mundial, mais de 22% da população romena vivem em estado
de miséria, abaixo do nível de subsistência. Na realidade,
sabemos que esse número é bem maior. Comparado ao período
anterior, antes de 1990, 10% da população vivem melhor, 10%
nas mesmas condições e 80% em piores condições.
O número de pessoas pobres cresceu em cinco anos de 1 milhão
para 5 milhões. E aumentou muito a diferença entre os mais
ricos e os mais pobres. A renda familiar caiu 21% em comparação
a 1990. Os gastos com alimentação chegam a 50% ou 60% da
renda das famílias.O desemprego não é algo tão
assustador, fica abaixo dos 10%. Isso provavelmente porque o governo ainda
não deu início às reformas, às privatizações.
Mas há um contingente muito grande de pessoas que têm trabalhos
informais, sem contrato, sem estabilidade, em condições precárias
e com salários muito baixos. O salário-desemprego representa
65% da remuneração de antes da demissão e é
pago por nove meses. Depois disso, é pago um valor equivalente a
40% do salário mínimo por 18 meses. Cerca de 75% dos desempregados
são pessoas relativamente jovens, entre 25 e 49 anos.O salário
da Romênia para os aposentados é o mais baixo da Europa. Chega
a uma média de 40 dólares. As mulheres se aposentam com 55
anos e os homens aos 57 anos. Essa decisão foi tomada no ano passado
como tática para se evitar o desemprego. Há um excesso de
aposentados no país, em contraste com a população
ativa. Dos 23 milhões de habitantes da Romênia, 10 milhões
são aposentados. E há 5 milhões de pessoas na ativa.Estrutura
dos Sindicatos - Na Romênia temos os sindicatos locais, as federações
por ramo e confederações. Até 1990 só existia
um sindicato, ligado ao Partido Comunista. Em dezembro de 1989 esse sindicato
foi dissolvido e surgiram vários. Dois sindicatos locais poderiam
formar uma federação e duas federações poderiam
formar uma confederação. Foram criadas 27 confederações
nacionais, que começaram a brigar entre si por filiados e pelos
bens do antigo sindicato comunista.No entanto, logo perceberam que assim
não conseguiriam ter conquistas e começaram a se aliar. No
momento existem sete confederações nacionais reconhecidas
pela lei. Serem reconhecidas significa serem representativas nas negociações.
Para serem reconhecidas têm de representar dois terços dos
trabalhadores no seu ramo ou sete ramos diferentes ou ainda terem filiados
em 21 dos 40 condados romenos (como os estados no Brasil). Em nível
local, em empresas, o sindicato tem de representar mais da metade dos trabalhadores
ou estar filiado a uma organização representante nacional.Há
três níveis de negociação: as confederações
nacionais, que negociam com o governo acordos que valem para todos os trabalhadores
do país; as federações por ramo, que negociam acréscimo
ao acordo nacional conforme suas especificidades; e em nível local
a negociação vai mais a fundo, tentando o máximo possível
de conquistas para a categoria. A cada nível de negociação
vão sendo acrescentados mais ganhos. Os acordos coletivos têm
força de lei e todos os trabalhadores, independente de serem membros
de sindicatos, são beneficiados.Acordo "Confidencial" - Há
ainda um quarto nível de acordo. Depois desse acordo ser assinado
para uma determinada empresa, em nível local, cada trabalhador assina
um acordo individual. A lei determina que esses contratos são confidenciais.
Os sindicatos concluíram que esse instrumentos pode ser utilizado
pelo empregador contra as entidades porque dão mais ou dão
menos ao trabalhador. Então, quando negociam o acordo coletivo,
vários sindicatos incluem uma cláusula colocando um representante
sindical na assinatura do acordo confidencial, para certificar-se de que
o empregador não faz qualquer alteração.Modelo Sindical
- Quando relato esses fatos do meu país não estou "cuspindo
no prato que comi". Essa descrição é, em cada palavra,
a verdade absoluta. Há bons e maus aspectos. Os bons, é claro,
devem ser preservados. Mas a história não volta e o bloco
socialista não existe mais. Não conseguimos vender os produtos
que produzimos e não há nenhum "big brother" para comprá-los.
Não há intercâmbios e trocas. Uma recente pesquisa
revelou que 10% da população vivem melhor que antes, mas
80% vivem em condições piores.O que precisa ser entendido
é que as antigas estruturas foram eliminadas e, no seu lugar, alguma
coisa precisa substituí-las. E não há volta. Não
há nada a que se possa voltar. No movimento sindical, o modelo em
que mais acredito é o sueco, o modelo de democracia social e boa
proteção social.Sindicatos e Privatizações
- Os sindicatos acreditam que as privatizações são
necessárias em alguns setores. Ninguém é contra, por
exemplo, a privatização do salão de cabeleireira.
Mas acredito também que uma das condições para a reestruturação
futura é que o governo assuma responsabilidades relativas aos direitos
fundamentais das pessoas e a setores e serviços que não devem
ser privatizados. Esses serviços são aqueles a que todo habitante
deveria ter acesso, incluindo distribuição de água,
saúde, eletricidade, comunicações, transportes. Os
sindicatos consideram que esses setores devem permanecer estatais. Os que
deveriam ser privatizados são aqueles ligados principalmente à
produção.Mas as privatizações só deveriam
ocorrer depois que os sindicatos fossem consultados, com o compromisso
de que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados, com leis bem rígidas
que façam com que essas empresas cumpram, depois de privatizadas,
com o que a população necessita, que a população
possa reclamar. As privatizações de alguns setores com os
quais os sindicatos concordam devem ser controladas de perto pelo governo,
com acesso às entidades e à população.Os sindicatos,
de modo geral, estão preparados para enfrentar as privatizações
que julgam não benéficas para o país. Há quase
nove anos organizamos vários seminário sobre educação,
muitos deles sobre privatização, com a participação
de países do Leste Europeu, dos Estados Unidos e outros países
que cooperam conosco. Ficaram claros os perigos da privatização
desenfreada, discutidos as várias formas de privatização,
parcial, total, aceitável, não-aceitável.Por isso,
acredito que os sindicatos estão preparados para enfrentar as privatizações
quando elas chegarem. Uma situação bem séria é
a tentativa do governo privatizar o setor de eletricidade. Essa é
a primeira grande empresa que estão tentando privatizar. Os sindicatos
manifestaram posição bem firme contra essa intenção
do governo. Estão sendo feitos piquetes dia após dia na sede
do governo, na presidência, na casa do presidente, em frente a casa
do primeiro-ministro, do ministro da indústria, do presidente do
Senado, enfim piquetes para mostrar que os sindicatos não querem
a privatização da companhia de eletricidade. Embora não
se dêem bem uns com outros, os sindicatos sempre se unem em casos
como esse na defesa de uma causa comum.Sindicalismo na Saúde - Houve
uma época em que o setor de saúde chegou a ter 23 sindicatos
por ramos, que se autodenominavam federações. Há uma
grande entidade, na qual estão organizadas as enfermeiras, com 60
mil membros, extremamente ativos. Entre março a abril últimos
eles organizaram uma greve de três semanas, reclamando dos salários.
A greve foi muito bem organizada, com ótima comunicação
com a imprensa, com a comunidade, e obteve sucesso. O movimento revelou
de maneira bem clara a miséria do setor de saúde. O resultado
é que até os pacientes internados em hospitais, que poderiam
ser considerados as maiores vítimas da paralisação,
apoiaram a greve.No final do ano passado, quando o governo anunciou que
devido a "problemas financeiros" teria de cortar verbas do setor "não-produtivo",
30 mil trabalhadores da área médica seriam demitidos. O sindicato
ameaçou que se tocassem em um fio de cabelo de um membro da categoria
o governo ia ver o que aconteceria. Não chegou a haver greve. Todos
os trabalhadores permanecem em seus postos de trabalho até hoje.
Depois dessa ação o número de inscritos no sindicato
aumentou muito porque perceberam a força que ele tem.Direito à
Greve - A greve está prevista em lei na Romênia e é
permitida, com a condição de que sejam cobertos 30% dos serviços
paralisados. No caso da saúde, os 30% representam os casos de emergência.Atendimento
de Saúde - Este ano foi aprovada uma nova lei sobre seguro saúde.
Até recentemente as pessoas eram encaminhadas a um consultório,
conforme a região em que moravam. Agora as pessoas têm o direito
de escolher o médico. E o médico recebe de acordo com o número
de pacientes que tem e também o tipo de tratamento que faz. Com
isso é introduzida a noção do médico da família.Com
essas mudanças, se você não gosta do médico
simplesmente muda para outro. Mas você não tem para quem reclamar
sobre as condições dos hospitais. Se você reclama,
isso implica mais verbas. E o governo diz que não tem recursos,
que está com os bolsos vazios. Herdamos a idéia idiota e
absurda de que a saúde e a educação são setores
"não produtivos". São setores que não vendem produtos,
não geram lucro e são tratados como a "Gata Borralheira"
da economia.