Pierre Broué
Existem episódios políticos relativamente breves,
mas importantes, que são completamente ocultados pelos acontecimentos
que os sucedem. Assim, a Guerra de Espanha, durante vários anos,
foi obscurecida pela Segunda Guerra Mundial à qual estava vinculada
enquanto ‘prefácio e repetição geral’, sem nenhuma
qualificação para uma existência própria. Tal
espécie de ocultação é facilitada pela cronologia,
porém, ela se explica, em última análise, pelos interesses
políticos e pela pouca cumplicidade. Esse é sem dúvida
o caso do período no qual a política da URSS na Guerra Civil
Espanhola de não-intervenção foi aplicada, não
somente de fato, mas, em seguida, de direito. Tal período se estendeu
do mês de julho a setembro de 1936 e foi decisivo, pois foi nele
que as tropas de Franco conseguiram, em grande medida, o restabelecimento
de uma situação bem comprometida pelas suas derrotas nos
combates de rua diante das milícias operárias que não
estavam nem foram equipadas para os combates em campo aberto.
Os autores mais sérios que estudaram a política soviética
na Guerra de Espanha consagram apenas algumas páginas, quando não
somente algumas linhas, a esse período, confirmando, dessa forma,
a versão mais favorável à URSS enquanto única
potência a ter abandonado a ‘farsa’ da não-intervenção,
desde que comprovou ser ela uma cegueira, e a ter ajudado efetivamente
a Espanha republicana. Resta explicar por que o governo da URSS se juntou
à ‘farsa’ da sociedade das nações ‘democráticas’
com a adoção, na prática, da política de não
intervenção. Seria sensato acreditar no argumento de que
tal atitude visava o seu desmascaramento completo? E por jogar tal jogo,
ela não teria privado os republicanos espanhóis de armas
durante dois meses decisivos? Esta é uma questão que os diversos
Partidos Comunistas e os seus historiadores, ao longo das décadas,
não conseguiram explicar. O combate pela verdade histórica
exige ressuscitá-la.
A versão ‘oficial’
No livro Guerra y Revolución en España1, que traz
o selo oficial do Partido Comunista Espanhol (PCE), apenas na metade do
segundo volume (num total de três), e no segundo capítulo,
a não-intervenção é abordada, e, da sua caracterização
enquanto ‘farsa’ e ‘traição’, torna-se claro que a URSS também
aderiu à não-intervenção. Descobre-se então
uma versão idílica desta adesão.
Numa outra obra oficial do PCE, intitulada L’URSS devant la Non-intervencion2,
o autor começa afirmando que, desde os primeiros momentos, a URSS
se pronunciou contra o princípio desta proposição
que foi feito neste sentido pelo governo francês. Os soviéticos
apoiavam-se no direito internacional que, segundo ele, interditava os países
de limitar o direito do governo legal da Espanha de comprar armas onde
ele desejasse. Tal direito também não justificava colocar-se
sobre um mesmo plano um governo legítimo e constitucionalmente eleito
e um bando de rebeldes se insurgindo contra o regime constitucional.
Ele explica, entretanto, que a URSS teve que procurar o meio correto,
de "levar uma luta efetiva contra as tentativas imperialistas de estrangular
o povo espanhol"3, o que implicava que ela tinha calculado todas as circunstâncias
concretas. Tais circunstâncias relacionavam-se com o fato de que
a proposição emanada do governo francês de Frente Popular
era julgada por muitos como o único meio de evitar uma guerra mundial
e de impedir a ajuda alemã e italiana a Franco, e, por fim, de que
a não-intervenção foi aceita até mesmo pelo
governo republicano espanhol.
Nessas condições, prossegue a hagiografia do PCE,
uma recusa da proposição francesa teria aberto as portas
às acusações contra a URSS de querer intervir na Espanha,
e ofereceria uma justificativa a Hitler e a Mussolini para ajudar a tropas
franquistas, permitindo isolar a URSS, que poderia ser acusada, primeiramente,
de ‘intervenção’ na Espanha. Ele define assim a atitude da
União Soviética:
aceitar a não-intervenção, mas sob forma condicional.
Quer dizer que a URSS aplicou a não-intervenção sob
a condição de que a Alemanha e a Itália a aplicassem
igualmente, sob a condição, por conseqüência,
que Hitler e Mussolini cessassem de enviar material de guerra aos rebeldes.4
Os esforços louváveis dos redatores dessa defesa da
política soviética não podem, todavia, impedir que
apareçam duas lacunas incontestáveis. Como, nessas circunstâncias,
explicar que a URSS tenha assinado o acordo de não-intervenção
sem ter, por sua vez, enviado armas à Espanha anteriormente, ao
passo que a ajuda ítalo-alemã seguia sem interrupção
há cinco semanas? Como acreditar que a adesão à não-intervenção
era ‘condicional’ para a URSS, quando se tratava de um acordo geral, evidentemente
condicional para todos: nenhuma potência que se liga através
de um acordo mútuo pensa autorizar os outros a agir a sua maneira.
Uma tal interpretação toma seus leitores por ‘simples de
espírito’.
A versão ‘histórica’
É ao historiador de diplomacia, o britânico Jonathan
Haslam, que se pode pedir a definição histórica da
política de não-intervenção da URSS durante
as primeiras semanas da Guerra Civil. Sublinhando a ausência quase
que total de relações entre a Espanha e a URSS, a ausência
tanto de diplomatas quanto de correspondentes soviéticos na Espanha,
ele assegura que os diplomatas soviéticos estavam sobretudo interessados
em demonstrar a ingerência ítalo-alemã e que a Internacional
Comunista, refletindo certos temores, permanecia ‘curiosamente muda’ e
que a concessão à opinião pública soviética
se fazia sob a forma de uma ajuda financeira confiada aos sindicatos.
Avaliando diferentes reações da imprensa e das autoridades
soviéticas, Haslam escreveu, para caracterizar a política
destes, que
a reação soviética a estes acontecimentos foi
um pouco ambígua e confusa, uma mistura curiosa de reserva formal
e de ajuda ‘oficiosa’, divulgada acompanhada de vituperações
contra as potências fascistas. De todos os modos, Stalin não
estava ainda decidido e a confusão se fez crescer à medida
que o verão avançava.5
Quanto às reações provocadas na imprensa soviética
pela assinatura da declaração de não-intervenção
pela URSS no dia 23 de agosto, seguindo outras potências, igualmente
a Alemanha e a Itália, Haslam sublinha que eles chegaram até
a escrever que ‘a teoria da neutralidade’ — no caso a não-intervenção
— era "de fato um bater em retirada geral diante dos governos fascistas
e de seus partidários nos diversos países"6.
Uma situação difícil
De fato, a situação da URSS tornou-se bastante difícil
com a explosão da guerra civil na Espanha, país pelo qual
a sua diplomacia não havia se interessado muito até então.
De fato, a União Soviética estava engajada em uma política
de segurança coletiva diante da Alemanha, dando-se conta, finalmente,
que ela a ameaçava diretamente desde a chegada de Hitler ao poder.
O Pacto Franco-soviético constituiu um importante passo nessa direção,
mas revelou igualmente seus limites com o muito inquientante resultado
das eleições francesas e o avanço dos socialistas
e dos comunistas que arriscavam inquietar o governo britânico, cuja
inclusão no Pacto era condição sine qua non de sua
eficácia.
A esse respeito, a situação espanhola, antes mesmo
da explosão da Guerra Civil, constituía uma ameaça
para os planos da URSS. A vitória eleitoral da Frente Popular criou
uma situação de profunda agitação social na
Espanha, na qual a direita denunciava a ação dos comunistas
e a ‘mão de Moscou’ e de personagens também influentes como
Auckland Geddes, o presidente diretor-geral do Rio Tinto, e suplicava ao
governo de Londres a fazer alguma coisa para preservar na Espanha seus
interesses ‘legítimos’. A Guerra Civil, como testemunham os relatórios
do Cônsul britânico na Espanha ao Foreign Office, provocou,
do lado republicano, uma revolução que só podia repugnar
profundamente ao governo conservador de Londres, cujas simpatias ‘sociais’
se dirigiam, evidentemente, aos militares sublevados.
Uma perspectiva revolucionária na Espanha, dessa forma, não
podia alegrar em nada a União Soviética. Seus dirigentes
acreditavam que ela poderia desencadear uma cruzada anti-revolucionária
que permitiria às potências fascistas convencer a Grã-Bretanha
do perigo da revolução e voltá-la, de novo, contra
a União Soviética. A França, sua única aliada,
seria fortemente golpeada pelo contágio revolucionário, sobretudo
na sua capacidade de defesa. É necessário acrescentar que
as organizações políticas que poderiam, na Espanha,
desempenhar um papel nesta revolução, apresentavam, para
os dirigentes soviéticos, aspectos profundamente inquientantes:
eles se inquietavam com a Confederação Nacional dos Trabalhadores
(CNT), com sua ideologia libertária, com o controle anarquista da
Federação Anarquista Ibérica (FAI), e, mais ainda,
com o Partido Operário Unificado Marxista (POUM), influente partido
na Catalunha, dirigido por antigos líderes dissidentes do PC, cujo
prestígio popular, naquele período, era bem superior ao dos
dirigentes do PC.
Inversamente, a vitória dos generais sublevados contra o
governo ‘republicano’, sustentada por Roma e por Berlim, modificaria a
situação de maneira muito profunda, isolando diplomaticamente
a França e criando-lhe, sob uma nova fronteira, graves problemas
de segurança, ameaçando-a em território magrebino.
Nesse momento, os rumores sobre a intervenção soviética
na Espanha e o apoio material que eles supostamente teriam concedido aos
‘vermelhos’ — puras invenções de propaganda — apavoraram
os dirigentes soviéticos, visto que eles não desejavam, de
forma nenhuma, que a URSS fosse identificada com elementos perturbadores
da ordem, do statu quo, desestabilizadores das sociedades democráticas,
em nenhum caso aliados convenientes de democracias parlamentares e de potências
coloniais como a França e a Grã-Bretanha. Provavelmente convencido
desde o início de que o interesse geral de sua política exterior
visava a derrota dos aliados de Roma e de Berlim na Espanha para evitar
o enfraquecimento do precioso aliado francês, o governo soviético
estava muito ansioso de se esquivar das acusações formuladas
contra ele, cortina de fumaça atrás da qual se concretiza
a ajuda dos governos de Roma e Berlim à Espanha franquista.
Uma evidente falta de interesse
Está evidente que os dirigentes soviéticos levaram
um tempo excepcionalmente longo, não somente para tomar uma decisão,
mas também para simplesmente se orientar nesta situação
concreta, da mesma forma como eles haviam levado para compreender que a
chegada de Hitler ao poder constituía, para a URSS, uma ameaça
direta. Seria possível, como asseguram certos autores — soviéticos
e outros — que essa postura da URSS se explicasse por uma crença
ingênua na rápida vitória das forças ‘republicanas’?
É verdade que, para a imprensa comunista, as tropas leais combatiam
com sucesso após sucesso, dia após dia, e não se abatiam
mais contra os restos esparsos de uma sublevação esmagada.
Mas é sabido que não é esse tipo de informação
que determina a política, mas, ao contrário, é a política
que determina a escolha da informação.
É cômico ouvir, para ‘explicar’ a política dos
soviéticos em relação à Espanha, que essa demora
foi o resultado da inexistência de relações diplomáticas
entre os dois países. A afirmação é absurda
porque, como a história o provou, dependia exclusivamente da ação
da política soviética para que essa situação
se modificasse. É certo que a mudança dos embaixadores prevista
para 1933 não foi realizada logo após o falecimento do embaixador
soviético Lunacharsky, e que os dirigentes do governo do bienio
negro colocaram muita má vontade na realização da
troca de representantes. Mas as relações foram retomadas,
em 1936, com o governo da Frente Popular, entre Litvinov e o embaixador
da Espanha na Sociedade das Nações, Salvador Mandariaga.
Haslam nota sobre esse ponto:
Mesmo após a explosão da Guerra Civil, os russos levaram
um tempo extraordinário — tendo em vista as circunstâncias
— para mudar de embaixador7.
Eles não se decidiram até o momento que se tornou
evidente que a França aplicaria a política de não-intervenção
e que a ajuda soviética tornava-se uma eventualidade a ser estudada,
mas admitindo que relações diplomáticas eram possíveis.
A nomeação de Marcel Rosemberg, primeiro-secretário
em Paris, para o cargo de embaixador soviético em Madri e sua épica
viagem de avião até Madri, em 28 de agosto, mostrou, ao contrário,
que os russos poderiam agir rápido quando estimassem necessário8.
Uma outra indicação é dada pela falta de curiosidade
dos correspondentes dos grandes jornais soviéticos. Os combates
começaram na Península em 18 julho e apenas em 8 de agosto
o correspondente do Pravda, Michel Koltsov, chegou à Espanha, 21
dias após o início do levante9. Ilga Ehrenbourg estava em
Paris quando explodiu a Guerra Civil e, conta, em suas memórias,
que reclamava em vão ao Izvestija uma ordem de missão para
ir cobrir os acontecimentos da Espanha, o que seria finalmente decidido
numa data que ele não indica (após Koltsov, em todo caso),
sem que ele tenha recebido de sua redação respostas a suas
questões urgentes10.
É necessário acrescentar que uma outra prova do desejo
real dos governantes da União Soviética de permanecer à
parte da Guerra de Espanha é dada pelo fato de que a Internacional
Comunista permaneceu, durante um bom tempo, obstinadamente ‘muda’. Jonathan
Haslam anotou as seguintes tomadas de posição: em 21 de julho,
o Comitê Mundial contra a Guerra e o Fascismo, em 23, o Socorro Operário
Internacional na França, na Bélgica e na Itália, em
25, novamente o Comitê Mundial contra a Guerra e o Fascismo, declarações
do PC dos EUA, da Polônia e da Grã-Bretanha e o Socorro Vermelho
lançaram apelos à ‘solidariedade’. Em 27 de julho, em l’Humanité,
Gabriel Péri fala da nova fronteira que a França deve defender.
Somente em 1o de agosto, o boletim de imprensa da Internacional Comunista
consagrou enfim um número inteiro à Guerra de Espanha11.
A Internacional Comunista colocou-se finalmente em dia? Veremos ...
Uma política de dupla face
Curiosamente, o governo soviético deu sinais de interesse
para uma defesa concreta da Espanha somente a partir do momento em que
ele se certificou, nas negociações, — de forma consciente
— de que estas o levariam à política de não-intervenção.
Em 3 de agosto, no momento em que se estabelece em Paris um conjunto do
procedimentos, um encontro visivelmente organizado de última hora
reuniu, na Praça Vermelha, mais de duzentas mil pessoas, segundo
cifras oficiais. E, no mesmo dia, o encarregado dos negócios americanos,
Henderson, indica que há divergências em Moscou entre aqueles
que não querem enviar dinheiro para a Espanha, com medo que isso
seja encarado como uma ‘intervenção’, e aqueles que pensavam
que não ajudar a Espanha era impossível12. Em 4 de agosto,
o Pravda traz: "Pela defesa do povo espanhol contra os assassinatos e intervenções
fascistas". O editorial explica que "o combate dos operários e dos
camponeses espanhóis por uma república democrática
... é um combate pela paz". Em 5 de agosto, o encarregado de negócios
francês Payart se aproxima do comissariado de negócios estrangeiros
para apresentar as proposições francesas de não-intervenção13.
O embaixador italiano assinalou que a proposição foi recebida
em Moscou "com grande alívio"14. A imprensa anunciou, no mesmo dia,
que se passava a deduzir 12 milhões de rublos dos salários
dos operários soviéticos, a seu pedido, para auxiliar a Espanha.
Em 9 de agosto, Payart escreveu ao ministro Delbos que o governo soviético
"aderiu sem reserva" ao dispositivo do projeto francês de declaração
comum e solicita apenas que fossem suprimidas as considerações
gerais de princípios que não eram, a seu ver, muito felizes
e traziam o risco de dividir os signatários15. Ivon Delbos, em 12
de agosto, afirma que ele "apreciou vivamente a solicitude que o governo
soviético dispensou ao aderir ao dispositivo de nossa proposição"16.
É verdade que Krestininsky, o adjunto de Litivnov, voltando de férias,
assegurou a Payart que os russos não tinham nenhuma ilusão
e não duvidavam um minuto que a Alemanha e a Itália dariam
continuidade, até o último momento, quer dizer, até
a derrota dos legalistas, ao fornecimento de ajuda as suas tropas.
Simultaneamente, entretanto, a chave da atitude do governo soviético
é dada pelas declarações públicas de Litvinov.
Em 29 de setembro, na assembléia geral das Sociedades das Nações,
ele dá uma declaração perfeitamente conservadora e
mesmo anti-revolucionária da política soviética por
meio de suas considerações jurídicas sobre o pano
de fundo da Guerra Espanhola. Contrariamente a todos os princípios
da política exterior soviética do tempo de Lenin — cujos
vários companheiros foram executados em 24 de agosto, no fim do
Processo dos Dezesseis, o primeiro Processo de Moscou — as considerações
jurídicas emitidas por Litvinov constituem uma apologia do statu
quo interior e exterior no qual o pacifismo da política externa
vai até legitimar as mais cruéis ditaduras dos piores inimigos
da União Soviética. Litvinov declara:
Fiel ao princípio de que cada nação tem o direito
de escolher, ele mesmo, sua ordem política e social, o governo soviético
não faz discriminação contra os Estados no que concerne
ao seu regime interno.17
Ele prossegue, dando um desmentido aos rumores que implicariam a
União Soviética em qualquer empresa antifascista:
Ainda que considere o nacional-socialismo e o racismo como os inimigos
mortais de todos os trabalhadores, e mesmo da civilização,
o governo soviético jamais instituirá uma cruzada contra
os países que são prisioneiros dessas doutrinas.18
A posição é portanto de dupla face, visto que,
no mesmo discurso, ele tenta conciliar a vontade pacifista de ‘neutralidade’,
tal qual exprimiu o governo francês e à qual ele adere, com
seu desejo de ver colocados em cheque os rebeldes da Espanha. Ele assegura:
Nós não consideramos o princípio de neutralidade
como aplicável a uma revolta contra um governo legítimo.19
E ele se levanta contra a ajuda ítalo-alemã aos rebeldes,
na qual ele vê uma brecha séria aos princípios do direito
internacional, sobre a qual ele assegura que:
(Será) um princípio novo, cheio de conseqüências
incalculáveis, de acordo com que será permitido ajudar abertamente
desordeiros contra seu governo legítimo.20
Seria incorreto ver nessas declarações simples considerações
jurídico-diplomáticas destinadas a acusar os governos de
Roma e de Berlim que ‘intervinham’ do lado dos ‘desordeiros’ contra ‘um
governo legítimo’. Há igualmente, da parte da União
Soviética, nas considerações acima, uma declaração
de respeito das autoridades constituídas e de condenação
de ‘revoltas’ e ‘rebeliões’ contra autoridades ‘legítimas’
no meio dos quais se conta o governo nazista, que tem um outro caráter.
Acusado de ser na Espanha e em outras partes o suporte ou, ao menos, o
aliado ideológico da revolução, o governo soviético
aproveita para desmentir solenemente tais acusações. É
à luz dessas declarações que é necessário
compreender a declaração do embaixador soviético Rosemberg,
no momento de entregar suas cartas de crédito ao presidente Azaña,
a quem ele assegurou:
Eu tenho plena consciência de que o governo da República
espanhola não deseja impor suas próprias concepções
políticas e sociais aos outros e que estas coincidem completamente
com as idéias de vosso governo.21
De fato, a União Soviética estava vindo ajudar um
‘governo legítimo’ e não tinha a menor intenção
subversiva: ela virou resolutamente as costas para a revolução
produzida na zona ‘legalista’: toda tentativa, qualquer que seja, de recolocar
em causa o governo ‘legítimo’ não poderia emanar senão
dos ‘rebeldes’ e ‘desordeiros’, contra os quais o princípio de ‘neutralidade’
não poderia ser invocado. Inserindo-se no contexto espanhol deste
fim de agosto, no qual ela acabava de assinar a declaração
de não-intervenção na Guerra de Espanha, a União
Soviética se colocou como uma força defensora da ordem e
do conservadorismo político e social, como potência respeitável
que procura, contra os perturbadores da paz, assegurar a confiança
das democracias ocidentais, consolidar a aliança francesa e ganhar
a britânica.
Desacordos em Moscou?
A maior parte dos observadores da época, entretanto, exalta
as resistências encontradas por esta política em Moscou mesmo
nos meios dirigentes no período, cujo resultado, foi o abandono
puro e simples, em troca de discursos dos combatentes operários
e camponeses espanhóis e de uma ajuda financeira de toda maneira
insuficiente.
O tenente-coronel Simon, adido militar da França em Moscou,
escreve na data de 13 de agosto:
A atitude que seria adotada pelo Comintern na presença dos
acontecimentos da Espanha seria apreciada, de modo diferente, pelos membros
desta organização.
A fração moderada, à qual pertencia o Senhor
Stalin, desejava evitar qualquer tipo de intervenção para
não provocar uma reação da Alemanha ou da Itália.
A fração extremista, ao contrário, defendia
que a URSS não deveria se manter neutra, mas apoiar o governo legal.
Os partidários deste ponto de vista serão acusados de ‘trotskysmo’
e prevê-se que sua atitude intransigente será suscetível
de arrastar medidas de repressão, chegando até mesmo, para
os russos, à deportação.22
Em 3 de setembro, o encarregado de negócios Payart retomou
esta questão e até sugeriu ao ministro dos Negócios
Estrangeiros que ele interviesse junto à imprensa para que ela desse
um pouco de razão à fração de Stalin:
A atitude tomada pelos dirigentes de Moscou não é
tão natural como possa perecer numa primeira abordagem. Ela determinou,
no seio do Partido Bolchevique, antes e depois de sua precisão,
violentos redemoinhos, dos quais, afora isso, eu senti, de forma contundente,
os contragolpes no curso de minha negociação. Inspirando-se
nos dois princípios, da solidariedade européia e da coexistência
pacífica de povos, ela representa um sucesso das idéias atualmente
construtivas de Senhor Stalin, sobre as idéias opostas. Parece-me
bom, por conseguinte, que nossa imprensa, sem se engajar em uma discussão
inoportuna de tendências que se afrontavam aqui, dê a prova
da compreensão simpática em relação ao gesto
soviético e não desanime, pelo seu silêncio, a política
positiva da qual ela constitui uma manifestação.23
Mais tarde, os diplomatas franceses retomaram essas questões
para indicar o que se passava do ponto de vista dos acertos de conta, quer
dizer, da liquidação do que eles chamavam, não confidencialmente,
de ‘oposição’ e cuja ajuda a Espanha evidentemente constituiu,
em agosto, o ponto de cristalização. A imprensa mundial por
inteiro notou o artigo de Karl Radek no Izvestja em 5 de agosto. Foi uma
denúncia dos fascistas que intervinham e a afirmação
de que a política de ‘neutralidade’ dos ocidentais estava inspirada
pelo medo da revolução. O nome de Radek foi pronunciado no
curso das ‘confissões’ do Processo dos Dezesseis, quando, em 21
de agosto, foi anunciada a abertura de uma sindicância contra ele.
Em 2 de outubro, Payart, a propósito daquele que seria um dos principais
acusados no segundo Processo de Moscou, escreveu a Yvon Delbos:
Eu tenho informações de boas fontes que no curso das
discussões sobre os negócios da Espanha, no seio dos meios
dirigentes, Radek se pronunciou muito vigorosamente em favor da intervenção,
menos em nome dos interesses da URSS do que em nome dos interesses da revolução
enquanto tal. Uma situação foi criada: a seus olhos, era
dever dos sovietes favorecer a qualquer custo seu desenvolvimento. Não
é mais nessa perspectiva que os iniciados do PC russo devem, de
hoje em diante, raciocinar, ao menos quando eles estão entre eles.24
Na mesma nota, Payart comenta o significado da prisão de
Radek que foi tornada pública: ele vê nela a prova do "vigor
inflexível de não se deixar parar por nada na sua vontade
de extirpar a oposição renascente".
Um pouco mais tarde, em 16 de novembro, é o embaixador da
França, Colondre, quem cita uma frase pronunciada por Litvinov:
"Nem eu, nem meus colegas nem o Senhor Stalin fazemos tudo o que queremos,
contrariamente ao que se crê em Paris".
O embaixador comenta:
Esta frase deve ser sublinhada porque aqui o nome de Stalin não
é jamais citado em vão. Ela pode comportar uma parte de verdade
e traduzir a inquietude que cria aqui e nos círculos comunistas
do exterior o processo Kamenev-Zinoviev.25
O diplomata francês tocou em um ponto nevrálgico: a
ligação entre a Guerra de Espanha e o processo que marcou
o início do extermínio dos companheiros de Lenin e principais
atores da Revolução de Outubro. A não-intervenção
e as pesadas derrotas das milícias em campo aberto se produziram
no momento em que se cobrem de lama os velhos bolcheviques em Moscou antes
deles serem abatidos nos porões de Lubjanka. O primeiro, a meu conhecimento,
que estabeleceu uma tal ligação, foi o historiador americano
Stephen Cohen que escreveu, a propósito do verão de 1936,
na sua biografia de Bukarin que:
Os membros do Politiburo que se opuseram ao terror, como Ordjonikidzé,
provavelmente apoiado pelo grupo ucraniano no qual encontramos Kossior,
Tchoubar e Pavel Postychev, tentam pela última vez resistir. Parece
que eles não protestaram contra o processo de Zinoviev e Kamenev,
já que condenados duas vezes a penas de prisão, Stalin lhes
havia prometido que os acusados não seriam executados. Quando perceberam
que foram traídos, decidiram tentar salvar Bukarin e Rikov que eram
ademais figuras políticas de longe as mais populares e as mais importantes.
Em fins de agosto e início de setembro, ocorreram um certo número
de reuniões do mais alto nível ... eles tiveram êxito
ao fazer passar um certo número de decisões importantes:
a intervenção na Espanha foi aprovada e as perseguições
contra Bukarin e Rikov foram abandonadas.26
Segundo uma tal interpretação, a oposição,
revelada pelos diplomatas franceses, que tinha se ‘cristalizado’ sobre
a questão da Espanha, teria sido idêntica àquela que
se levantou na URSS contra o agravamento do terror e que iria ainda custar
a vida de outros tantos velhos bolcheviques. Este não é o
lugar de resolver esta questão que permanece posta aos historiadores.
A ‘virada’ para a intervenção secreta
Não cabe aqui, no quadro deste artigo, o estudo da intervenção
russa sob suas diversas formas, que foi objeto de obras documentadas e
que ainda constitui ponto fortemente controverso. Nossa intenção
é somente indicar a maneira por meio da qual é operada a
virada da política soviética, numa data que permanece ainda
por ser determinada, mesmo se pudesse se seguir Krivitsky, que situa a
decisão de intervir na Espanha no momento mesmo da adoção
do decreto que interditava a venda de armas.
Um primeiro passo foi dado com o envio de víveres e de socorro
material, que correspondia à coleta financeira, ao mesmo tempo em
que o governo soviético afirmava estar respeitando o acordo de não-intervenção.
A fisionomia da virada pode ser percebida por meio do artigo que se segue,
de l’Humanité, que comenta, no dia 22, a partida de Odessa de um
primeiro barco carregado de víveres:
Uma embarcação de víveres partiu antes de ontem
de Odessa para a Espanha. Outros partirão. E os fascistas começaram
a lançar mentiras criminais sobre ‘47 aviões soviéticos
que iriam receber os Vermelhos’. Adiciona-se mesmo setenta mil fuzis de
origem russa. A futilidade das afirmações fascistas resulta
do fato de que se tentou servir da adesão leal da URSS ao embargo
sobre as armas e o material de guerra para atacar os comunistas e os operários
franceses que reclamavam o fim do bloqueio.
As fontes soviéticas e pró-soviéticas asseguram
que as primeiras armas foram entregues atendendo à solicitação
do governo espanhol de Largo Caballero o que tornou necessário adiar
a execução desta medida até a formação
desse governo, em 14 de setembro. A queda de San Sebastián, no dia
13, mostrou aos olhos do mundo inteiro, por meio de seus correspondentes,
que os milicianos estavam cruelmente sem munição. Em 17 de
setembro, tornou-se público o fato que Dimitrov havia insistido
na necessidade de medidas de ajuda concreta à Espanha.
Mas ao mesmo tempo, a União Soviética, que havia ingressado
em Londres no Comitê de Não-intervenção, lançou-se
em uma campanha — aparentemente muito mal documentada e demonstrando grandes
lacunas de informação — de denúncia da ajuda ítalo-alemã
às forças de Franco. Seu porta-voz nesta campanha, o conselheiro
do embaixador em Londres Samuel Cahan não se contenta em reivindicar
uma ‘não-intervenção eficaz’, mas exige o envio de
uma comissão à fronteira hispano-portuguesa. Ele ameaça,
declarando, notadamente, em 7 de outubro, em nome de seu governo, que,
"se as violações do acordo de não-intervenção
não cessassem logo em seguida, o governo soviético se consideraria
livre das obrigações decorrentes"27. Em 12 de outubro, ele
deu mais um passo e assegurou que não somente o acordo não
alcançava seu objetivo, mas ainda, que "ele servia de cobertura
para os rebeldes contra o governo legítimo". Finalmente, é
Maisky, o embaixador, que revela a política da URSS, incontestavelmente
nova, numa declaração lida ao Comitê de Londres, em
23 de outubro. Considerando a situação real, ele reclama
que, se reconhecido ao governo espanhol o direito e a responsabilidade
de comprar armas,
o governo soviético ... se vê na necessidade de declarar
que hoje, em relação a sua nota de 7 de outubro, ele não
pode considerar como ligado pelo acordo de não-intervenção
em maior medida que qualquer um dos outros signatários do acordo.28
Em 28 de outubro, tanques russos chegam em Madri. Deixamos aqui
a palavra a um especialista em história diplomática. Depois
de ter recordado que a ajuda russa permitiu, sem dúvida alguma,
a defesa vitoriosa de Madri na entrada do inverno de 1936-1937, Max Beloff
prossegue:
O efetivo militar russo foi sempre numericamente limitado. A avaliação
máxima de Krivitsky é de dois mil; Fischer assegura que não
houve jamais mais de setecentos russos na Espanha ao mesmo tempo. Após
os primeiros meses de Guerra, o aspecto mais importante da ajuda soviética
foi o fato de que os agentes do Comintern puderam ajudar na compra de armas
— com fundos espanhóis. Essas armas, na sua maioria, não
eram fabricadas na Rússia, mas compradas em diferentes partes da
Europa e da América, segundo a ocasião. A principal dificuldade
durante esse processo foi sobretudo o transporte da compra ou o seu financiamento.
Os russos estavam, no entanto, garantidos contra os prejuízos financeiros
pelo depósito, já existente em Moscou no início de
novembro de 1936, de uma parte importante da reserva de ouro do Banco da
Espanha.29
Atualmente, muitos outros trabalhos têm mostrado como a URSS
utilizou sua ‘intervenção’ para fins políticos próprios
e notadamente para conter a revolução na Espanha, que ela
temia, antes de tudo. Utilizou também para garantir a ‘aliança
com as democracias’ que ela tanto desejava, como o havia demonstrado o
período da não-intervenção. Desse ponto de
vista, não havia solução de continuidade. A demonstração
que fizemos concernente à não-intervenção soviética
deveria ajudar a tornar relativa a importância de sua ‘intervenção’:
tanto uma como a outra não eram um fim em si, mas somente um aspecto
de uma ‘linha geral’ que não se importava, finalmente, muito com
destino dos operários e camponeses espanhóis, cuja imprensa
do PC dizia que se tratava de defendê-los. É talvez aí
que se encontre a explicação do ‘massacre dos espanhóis’
e do extermínio, em Moscou, a partir de 1937, do grosso dos homens
que se identificaram, no campo de batalha ou no primeiro plano da cena
política, com essa intervenção: os diplomatas Rosemberg,
Antonov-Ovseenko, os militares Berzine, Gorev, Stern e tantos outros, que
retornaram a Moscou para serem abatidos.
Mas parece que, durante muito tempo, subestimou-se a influência
particular dessa não-intervenção soviética
sobre o destino bélico da Guerra. Foi nesse período que caíram,
sucessivamente, Badajós — o que permitiu a unificação
da ‘zona’ franquista — Irun e San-Sebastián, separando a ilhota
republicana do norte da fronteira francesa. Foi também nesse período
que ocorreram pânicos desesperadores das milícias, cujos membros
não sabiam nem combater nem, sobretudo, proteger-se, criando uma
desordem inominável e que se constituiu em um terrível fator
de desmoralização para as outras unidades. Foi nesse período
que ocorreram vitórias como a de Sierra, que custaram um preço
exorbitante de vidas humanas nas quais a maior parte dos chefes militares
profissionais e militantes foram mortos em combate, inviabilizando hipoteticamente
um sucesso futuro. Nesse período decisivo, faltava tudo aos combatentes
da ‘República’: os últimos milicianos que atravessaram a
fronteira francesa diante de Irun mostraram suas cartucheiras vazias. Sabe-se
que, aos defensores do vilarejo, faltavam munição e explosivo.
Antes de deixarem seus postos, finalmente eles fizeram rolar rochas sobre
os assaltantes. Ao mesmo tempo, dezenas de milhares de cartuchos esperavam
em Barcelona o avião que os transportaria, ao menos uma parte, para
a região de Irun. O adido militar francês em Madri, o coronel
Morel, havia constatado, em julho, que os combatentes da República
sabiam porque combatiam e tinham brilhante superioridade moral. Em 14 de
outubro, ele constata que a situação estava completamente
modificada e que as milícias, armadas somente de fuzis, quase sem
artilharia, estavam, nesse momento, persuadidas de que eram incapazes de
fazer frente aos meios técnicos dos inimigos, e passaram a abandonar
a arena dos combates quase em todos os lugares, antes do choque. E ele
acrescenta a essa observação capital, no que diz respeito
à não-intervenção e a sua significação
histórica, que os rebeldes tinham "mais meios materiais (carros,
armas automáticas, aviões) do que tropas"30. Essas observações
são confirmadas particularmente pelos observadores alemães.
Como não compreender as ‘hesitações’ percebidas
no Kremlin pelo senhor Henderson e o temor "de ser criticado pelas forças
mundiais do movimento revolucionário mais militantes por ter aceitado
não ajudar materialmente um governo amigo de esquerda diante de
uma revolução (sic) reacionária"31? O mesmo Henderson
cita o diplomata Aleksei Fedorovitch Neyman que o assegura:
Eu posso vos assegurar que o governo soviético tomou cuidado
ao se abster de toda ação que poderia ser considerada como
uma interferência nos negócios espanhóis: nenhuma arma
soviética e nenhum outro equipamento militar foi encaminhado e nenhum
barco soviético desempenhou algum papel lá direta ou indiretamente.32
Ele não permite dúvidas. No melhor caso — quer dizer,
se ele não desejasse a derrota da Revolução Espanhola
e de seus milicianos — o Kremlin estava perfeitamente indiferente a seu
destino: a prova irrefutável disto está no conteúdo
das confissões exigidas aos acusados do primeiro Processo de Moscou
no qual a Espanha não foi sequer mencionada porque não se
podia pensar em acusar Zinoviev e seus camaradas de ‘apunhalar pelas costas’
combatentes que se ignoravam.
A virada de Stalin em direção à Espanha se
produziu muito tarde, não somente em relação à
vitória militar, cuja ajuda soviética não forneceria
jamais condições, mas em relação à revolução,
efetivamente abatida pelas vitórias franquistas. Somente então
Stalin tomou a iniciativa na Espanha ‘republicana’, fazendo-a pagar sua
ajuda e livrando-se, por outro lado, de uma série de críticas
e de adversários interiores.
Decididamente, a não-intervenção soviética
na Espanha merece sair do esquecimento.
Notas
1. GUERRA y Revolución en Espanha 1936-1939. Moscou: Progresso,
1971. v.3., p.324, 296, 280. A obra é precedida da advertência:
"Esta obra foi elaborada por uma comissão presidida por Dolorès
Ibarruri".
2. Le gouvernement Largo Caballero. Affaires internationales, §
L’URSS devant á Non-Intervention. In: GUERRA y Revolución
en Espanha 1936-1939. Moscou: Progresso, 1971. v.3., p.105-7.
3. Idem, p.105.
4. Idem, p.106.
5. HASLAM, Jonathan. The Soviet Union and Struggle for Collactive
Security in Europe, 1933-1939. Nova York: St-Martin’s Press, 1984. p.112.
6. Le Journal de Moscou, Moscou, 25 ago. 1936.
7. HASLAM, op. cit., p.109.
8. Marcel Rosemberg, nos diz J. Haslam, havia feito um vôo
de arrepiar os cabelos da cabeça ("hair-rising flight") entre Paris
e Madri. Cf.: idem, p.109.
9. ISPANSKII Dnevnik. Novyi Mir, Moscou, abr. 1938, p.6.
10. EHRENBURG, Ilya. Lyudi, Gody, Jizn. S. n. t. p.100.
11. Inprekorr, Moscou, 1° ago. 1936.
12. FOREIGN Relations, U.S. Diplomatics Papers, 1936, v.2, Europe
Rapport Henderson, 4 ago 1936, p.461.
13. DOCUMENTS Diplomatiques Français, Relatório Payart,
6 ago. 1936, 2° série, t. III., doc. 89.
14. DOKUMENTY Vneshnei Politiki SSR, v14, doc. 244. Também
Krestinsky à Stein (Rome), v.16, doc. 244.
15. D.D.F., Relatório Payart, 6 ago. 1936, doc. 89.
16. D.D.F., Relatório de Yvon Delbos, 12 ago. 1936, doc.
130.
17. L’Humanité, 30 set. 1936.
18. Idem, ibid.
19. Idem, ibid.
20. Idem, ibid.
21. Izvestija, 29 ago. 1936.
22. D.D.F., Relatório do tenente-coronel Simom adido militar
em Moscou, 13 ago. 1936, p.208.
23. D.D.F., Relatório Payart, 3 set. 1936, doc. 231.
24. D.D.F., Relatório Payart, 2 out. 1936, doc. 234.
25. D.D.F. Relatório do embaixador Coloundre, 16 nov. 1936,
doc. 497.
26. COHEN, Stephen. Boukharine. S. n. t. p.444-5.
27. GUERRA y Revolución, op. cit., p.108.
28. Idem, p.109.
29. BELOFF, Max. The Foreign Policy of Soviet Russia. S. n. t. v.2,
p.33.
30. D.D.F. Relatório do tenente-coronel Morel, 14 out., doc.
350. p.527.
31. FOREIGN Relations, U.S. Diplomatics Papers, 1936, v.2, Relatório
Henderson, 29 ago. 1936. p.515.
32. FOREIGN Relations, U.S. Diplomatics Papers, 1936, v.2, Entrevista
Henderson-F.A. Neyman, 31 jul. 1936, p. 452-3.
Pierre Broué é historiador e professor emérito
da Universidade de Grenoble.
Tradução do francês por Cristiane Nova